“Moendo Gente” mostra as condições de trabalho nos frigoríficos do Brasil

13/09/2012

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Terça, 11 de setembro de 2012

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 “Moendo Gente” mostra as condições de trabalho nos frigoríficos do Brasil

Investigação realizada pela Repórter Brasil aponta os problemas à saúde e segurança dos empregados das principais indústrias de carnes do país.

A reportagem é do sítio Repórter Brasil, 10-09-2012.

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Fonte: http://www.cifs.dk

A rotina dos trabalhadores da indústria de abate de aves, suínos e bovinos envolve inúmeros riscos devido ao manuseio de instrumentos cortantes, a pressão por altíssima produtividade e, não raro, jornadas exaustivas em ambientes frios e insalubres. Produzida pela Repórter Brasil, a investigação Moendo Gente (www.moendogente.org.br) mostra os maiores problemas da indústria dos frigoríficos, um dos principais setores do agronegócio nacional. Atualmente, emprega mais de 750 mil pessoas e em 2011 chegou a exportar o equivalente a US$ 15,64 bilhões em carnes.

O Moendo Gente relata problemas em 24 plantas frigoríficas pertencentes às três principais empresas que abastecem nossos supermercados e fazem do país o líder mundial na exportação de proteína animal: JBS, Marfrig e Brasil Foods. Em 2011, a Repórter Brasil lançou um documentário mostrando o retrato do trabalho em frigoríficos, Carne, Osso. Clique aqui para assistir ao trailer do filme. 

Problemas de saúde

Na unidade de Rio Verde (GO) da Brasil Foods, segundo levantamento do Ministério Público do Trabalho (MPT), cerca de 90 mil pedidos de afastamento foram registrados entre janeiro de 2009 e setembro de 2011. É como se a cada 10 meses todos os 8 mil empregados do frigorífico tivessem que se ausentar por ao menos uma vez devido a problemas de saúde relacionados ao trabalho.

Os afastamentos por distúrbios osteomusculares (os chamados DORT) foram os mais recorrentes – uma média altíssima de 28 atestados por dia, ou 842 por mês. Já na unidade de Barretos (SP) da JBS, 14% dos aproximadamente 1.850 funcionários estão permanentemente afastados do trabalho devido a acidentes e doenças ocupacionais e sobrevivem com o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Só no primeiro semestre de 2011, registraram-se 496 pedidos de afastamento temporário (com menos de 15 dias) por conta de distúrbios psíquicos e problemas esquelético-musculares.

Em 2011, a Seara (empresa do grupo Marfrig) foi condenada a pagar uma indenização de R$ 14,6 milhões por danos morais coletivos causados aos trabalhadores na unidade de Forquilhinha (SC). A Justiça determinou também que a Seara conceda pausas para “recuperação térmica” de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho. A mesma sentença obriga ainda o frigorífico a liberar a ida dos trabalhadores ao banheiro, sem que seja necessária autorização prévia de um superior.

Atividade de alto risco

Uma das características do trabalho em frigoríficos é a elevada carga de movimentos repetitivos. Trabalhadores das indústrias de aves desossam, no mínimo, 4 coxas de frangos por minuto. Nessa função, há funcionários que realizam até 120 movimentos diferentes em apenas 60 segundos, enquanto estudos ergonômicos apontam que o limite de ações por minuto deve ficar na faixa de 25 a 33 movimentos para evitar o aparecimento de doenças osteomusculares.

Fiscalizações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) vêm constatando prolongamento irregular da jornada de trabalho, com expedientes que chegam a superar 15 horas diárias.

Especialistas em saúde do trabalho afirmam que as lesões por esforços repetitivos têm como um dos fatores facilitadores e agravantes a exposição a baixas temperaturas. Além disso, o trabalho contínuo com facas, serras e outras ferramentas afiadas, aliado a jornadas exaustivas, elevam o risco de acidentes da atividade.

Órgãos governamentais e autoridades competentes estão cientes dos riscos que o trabalho em frigoríficos gera à saúde de seus empregados. Segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social (MPS), quando se comparam os problemas de saúde gerados especificamente pelo abate e processamento de carne com os danos provocados por todos os demais segmentos econômicos brasileiros, o resultado da matemática é assustador.

No abate de bovinos, ocorrem duas vezes mais traumatismos de cabeças e três vezes mais traumatismos de abdômen, ombro e braço que em outras atividades. O risco de sofrer uma queimadura é seis vezes superior.

No abate de aves, a chance de um trabalhador desenvolver um transtorno de humor, como uma depressão, é 3,41 vezes maior. No abate de aves e suínos, o risco de sofrer uma lesão no punho ou nos plexos nervosos do braço é 743% maior.

Baixas indenizações

Funcionários de frigoríficos que se acidentam gravemente ou desenvolvem doenças ocupacionais têm sido contemplados pela Justiça com indenizações por danos morais comparáveis às recebidas por cidadãos que tiveram seus nomes inseridos indevidamente no cadastro de “maus pagadores” da Serasa Experian.

Para especialistas da área, as condenações impostas pelo Poder Judiciário aos frigoríficos resultam em indenizações de valor muito baixo que, em vez de inibir as práticas nocivas no setor, acabam permitindo que novos acidentes ocorram.

Em Goiás, por exemplo, um trabalhador de uma planta industrial da Marfrig teve de ser submetido a uma cirurgia depois que um corte profundo em seu braço esquerdo atingiu nervos e tendões, prejudicando a mobilidade de sua mão. Por não fornecer os devidos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o frigorífico foi condenado a arcar com os custos da cirurgia e a pagar uma indenização de R$ 5 mil por danos morais ao empregado.

Também em Goiás, uma cliente processou um banco que levou seu nome à Serasa Experian e foi contemplada com uma indenização de R$ 10 mil por danos morais.

Legislação específica para o setor

A legislação trabalhista do Brasil já prevê uma série de medidas que, se devidamente aplicadas, contribuiriam para a proteção da saúde dos empregados do setor de frigoríficos. O artigo 253 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo, determina a realização de intervalos de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho para amenizar os efeitos do frio.Há normas semelhantes para mitigar os problemas gerados pelos movimentos repetitivos. Só que as empresas nem sempre cumprem essas determinações e, por essa razão, vêm sendo acionadas judicialmente pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

Desde 2010, a Secretaria Nacional de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE) vem debatendo com representantes de empresas, trabalhadores e órgãos competentes (como o Ministério Público do Trabalho) o texto de uma Norma Regulamentadora (NR) que vai disciplinar o trabalho em frigoríficos.

Se aprovada, a NR fornecerá detalhes sobre o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos trabalhadores; a adequação dos postos de trabalho, levando em conta os instrumentos (facas, serras) e o mobiliário (mesas, esteiras); a velocidade e o ritmo de trabalho, e a concessão de pausas aos empregados. Esse último ponto é o que tem sido objeto de mais controvérsias nas discussões sobre a nova NR, que pode ser aprovada ainda em 2012.

Mercado global: o que pensa quem consome a carne brasileira

Atualmente, a carne brasileira é vendida em mais de 150 países. Apesar dos graves problemas trabalhistas em suas fábricas, Brasil Foods, JBS e Marfrig se valem de parcerias com gigantes do varejo para escoar seus produtos no Brasil e no exterior. A Repórter Brasil investigou ainda os elos que ligam esses três grupos frigoríficos às maiores redes mundiais de fastfood (McDonald’s, Subway, Burger King, KFC e Pizza Hut) e aos dez maiores varejistas globais com atuação no setor alimentício (Walmart, Carrefour, Tesco, Metro, Kroger, Lidl, Costco, Walgreens, Aldi e Target).

A unidade de Naviraí (MS) da JBS é uma das plantas industriais da empresa que abastecem lojas brasileiras do Walmart. Registros de desmaios e queixas de mal-estar entre trabalhadores levaram o Ministério Público do Trabalho (MPT) a ajuizar um pedido de interdição do setor de abate local, em novembro de 2010.

No Oriente Médio, o Carrefour comercializa carne halal (preparada de acordo com os preceitos islâmicos do Alcorão), proveniente da unidade de Dois Vizinhos (PR) da Brasil Foods (BRF). Em 2011, a Justiça do Trabalho condenou a BRF por terceirização ilícita e por submeter a “condições absolutamente indignas” os trabalhadores muçulmanos empregados localmente na produção desse tipo de item.

A unidade da Marfrig em Hulha Negra (RS) é responsável pela fabricação de carnes enlatadas “marca própria” da Tesco, o maior varejista do Reino Unido. Uma inspeção do Ministério Público do Trabalho (MPT), realizada em dezembro de 2011, constatou que 12% dos empregados locais estavam afastados por acidentes ou doenças ocupacionais.

Todos os varejistas e redes de fastfood foram convidados a se manifestar sobre os problemas identificados em operações de seus fornecedores. O Moendo Gente traz as respostas daqueles que optaram por se posicionar.

Saiba mais:

08/12/2011 – ”Há pessoas que preferem o desemprego a entrar no inferno de um frigorífico”

10/09/2011 – JBS Friboi: quando o dinheiro público financia a dor nos frigoríficos

17/06/2011 – Ritmo intenso, gestos repetitivos, jornadas extenuantes. A dura realidade nos frigoríficos brasileiros

14/06/2011 – Encontro nacional em Caxias do Sul debate condições de trabalho nos frigoríficos

20/03/2011 – “Carne Osso’. Um mergulho no mundo dos frigoríficos brasileiros

 

*Retirado do IHU Online

 

 


Em cada três minutos, um trabalhador europeu morre por causa do seu trabalho

10/02/2012

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(Nota: o texto se encontra em português de Portugal. Algumas palavras substituimos por outras mais usadas no Brasil ou esclarecemos entre colchetes, para facilitar o entendimento. O texto é um ótimo subsídio na realidade atual da saúde dos trabalhadores, e a maioria das análises vale também para a América Latina)

Segue a entrevista:

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No momento em que os planos de austeridade se multiplicam, em que o desemprego parcial se banaliza, em que o tempo de vida no trabalho aumenta um pouco por todo o lado, qual é o estado de saúde dos assalariados europeus? Entrevista com Laurent Vogel do Instituto Sindical Europeu. Por Ivan du Roy

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Artigo | 9 Fevereiro, 2012 – 01:28
Foto de Laurent Guizard retirada do site bastamag.net

Foto de Laurent Guizard retirada do site bastamag.net
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As desigualdades sociais na saúde no trabalho permanecem fortes. Para esperar viver até velho, mais vale ser quadro [profissional qualificado, de cargos de administração ou gestão] que operário e operário que jovem precário.

Basta!: Como estão os trabalhadores europeus?

Laurent Vogel1: Assistimos a uma deterioração da saúde no trabalho a longo prazo. O problema é menos o impacto imediato das condições trabalho na saúde e mais a acumulação de danos na saúde ao longo do tempo. No quadro do inquérito europeu sobre as condições de trabalho2, quando se pergunta aos trabalhadores se eles se sentem capazes de trabalhar até a idade de 60 anos, as respostas negativas são importantes. Manifesta-se um efeito de desgaste: só 44% dos operários não qualificados pensam poder aguentar até aos 60 anos e apenas metade dos operários qualificados. As diferenças são grandes segundo a posição na hierarquia social, porque a proporção daqueles que pensam poder aguentar sobe até 71% para os empregados mais qualificados. Existe assim um fosso entre os operários menos qualificados e as pessoas que têm qualificações elevadas. Na França, os operários morrem seis anos e meio mais cedo do que os quadros superiores. Na Estônia, a diferença da esperança de vida de um homem de 25 anos licenciado e de um homem da mesma idade, que possua um nível de educação mais baixo, sobe para 13 anos. A situação das mulheres é mais favorável que a dos homens em setores em que as consequências imediatas do trabalho são menos perceptíveis. Mas, a longo prazo, as mulheres perdem a vantagem. Elas são confrontadas ao longo da sua vida com uma organização mais disciplinada do trabalho.

Num contexto em que o tempo de vida no trabalho se prolonga…

Tudo isto é efetivamente inquietante quando em muitos países europeus a idade da reforma e a duração do tempo de trabalho ao longo da vida se prolongam. Esta lógica simplista que visa afirmar que aumentando a esperança de vida o tempo de trabalho ao longo da vida deve igualmente aumentar, arrisca-se a ter efeitos perniciosos. As condições de trabalho atuais tornam esse objetivo impossível para uma grande parte da população.

460 pessoas morrem em cada dia na Europa devido a acidentes e doenças ligadas ao trabalho (168.000 por ano segundo a Comissão dos assuntos sociais do Parlamento Europeu). As mortes ligadas ao trabalho têm tendência a diminuir?

É, na minha opinião, uma estimativa muito baixa, subestimada. Ela tem em conta os acidentes de trabalho mas também as patologias mortais provocadas pelo trabalho, principalmente o cancro [câncer maligno]. Os acidentes de trabalho mortais constituem uma pequena parte destas mortes: cerca de 6.000 por ano. Têm tendência a diminuir. Em primeiro lugar, porque os setores econômicos mudam: há menos empregos na siderurgia ou nas minas, setores mais expostos aos acidentes. Depois, graças a uma melhoria das condições de trabalho e da prevenção da segurança do trabalho. Observamos entretanto um claro aumento dos cancros com origem profissional. Isto explica-se provavelmente por um melhor conhecimento dos diferentes tipos de cancro – estamos em melhores condições de dizer que um determinado cancro é provocado por determinada atividade. Mas vivemos também num modelo econômico muito dependente das substâncias químicas. Um ponto suplementar do PIB equivale a um aumento de 1% das substâncias químicas perigosas produzidas pela indústria. Segundo certas estimativas, cerca de 28% dos trabalhadores estão expostos a substâncias cancerígenas3. Os operários estão muito mais expostos que os empregados e os quadros superiores são os que estão melhor. No caso das doenças mentais e dos suicídios, que podem estar ligados ao trabalho, não dispomos de dados de conjunto credíveis [confiáveis]. Mas o fenómeno existe por toda a Europa, não só na França, como o mostrou o drama dos suicídios na France Télécom.

Em matéria de prevenção dos riscos no trabalho, qual é a amplitude das desigualdades na Europa?

Isso depende dos setores e dos tipos de prevenção. Na Alemanha, por exemplo, se as práticas de prevenção são mais avançadas em matéria de acidentes de trabalho, não o são de forma alguma no que diz respeito aos cancros profissionais. Isto explica-se pelo peso da indústria química. Em geral, quanto mais fortes são as desigualdades na sociedade, mais importantes são as desigualdades resultantes do trabalho. O nível de prevenção depende também das capacidades de mobilização coletiva neste ou naquele setor. Na França, o ponto positivo, comparado com outros países europeus, é a relativa visibilidade desta questão desde a revelação do escândalo do amianto. As condições de trabalho estão presentes no debate público. É uma base para encontrar respostas eficazes. Outra questão: o lugar do trabalho e das condições de trabalho na estratégia global dos sindicatos. Na Espanha, por exemplo, no setor da construção, a saúde no trabalho foi colocada no centro das reivindicações sindicais. E as coisas mexem. Na França, os sindicatos são menos fortes do que noutros países da Europa, mas o destaque que eles dão às condições de trabalho situam-se numa média alta entre as organizações trabalhistas. Com um obstáculo: quanto mais precário é o emprego, menos possíveis são as mobilizações.

A esse respeito, a Comissão dos assuntos sociais do Parlamento Europeu nota “a proliferação das formas de emprego atípicas (trabalho temporário, sazonal, dominical, a tempo parcial, trabalho à distância)”. Estes empregos precários têm impacto na saúde dos trabalhadores?

As jovens gerações estão principalmente preocupadas pela multiplicação destas formas de emprego. Entre os jovens que têm entre 20 e 30 anos, os fatores de precariedade jurídicos são dois ou mesmo três vezes mais intensos que entre os mais velhos. E isto em toda a Europa. Qual será o seu estado de saúde daqui a duas ou três décadas? Se cada um sofrer cinco anos de precariedade antes de encontrar uma forma de emprego estável, isso não será muito pesado. O problema é que a duração destes empregos precários vem se prolongando. Para certas categorias, estes empregos atípicos tendem a tornar-se a regra! Na Holanda, três quartos das mulheres trabalham em jornada de trabalho de tempo parcial. Esta proporção é de um terço para o conjunto da União Europeia. Os dados fornecidos pela Cáritas, e que estão disponíveis também para o resto da Europa, mostram a correlação entre a precariedade em termos de emprego e o aumento das tentativas de suicídio. Existe também uma precariedade que se pode descrever e quantificar – o número de contratos a prazo, contratos de trabalho temporário, sazonal… – e uma precariedade de fato, mais difícil de medir estatisticamente. Ela está ligada às situações de sub-contratação: pessoas com contrato a prazo indeterminado são contudo precários, porque o seu emprego pode ser ameaçado a qualquer momento, pelo fato, por exemplo, de um diretor decidir que vai mudar de sub-contratado por razões de menores custos. São situações correntes no setor da limpeza, onde a forma do contrato não tem, ao fim e ao cabo, qualquer incidência no nível de precariedade nas estatísticas.

François Hollande4 propõe que se aplique “um dispositivo de classificação social que obrigue as empresas com mais de 500 trabalhadores a certificarem anualmente a gestão dos seus recursos humanos em critérios da qualidade do emprego e das condições de trabalho”. Pensa que isto pode ser útil?

Delegar em peritos externos à empresa a elaboração de critérios não é, segundo penso, uma prioridade. Todos os tipos de empresas de consultoria estão prontos a dar qualquer tipo de certificado, com este ou aquele “rótulo social”. Mas muitos dos aspectos das condições de trabalho nunca irão entrar nas suas planilhas de avaliação. A Saint-Gobain no Brasil, por exemplo, tinha obtido todas as certificações possíveis e inimagináveis… mas a empresa usava o amianto. As avaliações externas estudam os procedimentos: existe uma comissão para a igualdade salarial? Há um médico do trabalho na empresa? As formações são implementadas? O problema é que os próprios procedimentos não dão forçosamente resultados eficazes. O respeito deste ou daquele procedimento não dá qualquer garantia sobre as condições de trabalho.

Qual deve ser então a prioridade?

O ponto importante seria reforçar o controle coletivo: a possibilidade dos trabalhadores estarem representados, com direitos associados a essa representação. É a questão da democratização do trabalho: pôr o que se passa em debate com os trabalhadores da empresa. Depois, este debate não deve limitar-se aos trabalhadores da empresa. Atores de fora da empresa devem poder intervir. A população afetada por uma atividade – consumidores, residentes… – deve também ter uma palavra a dizer.

Pensa que a saúde dos trabalhadores vem depois da dos consumidores5?

Existe efetivamente uma mudança. É mais fácil mobilizar para a proteção do ambiente do que sobre as desigualdades sociais, que passam muitas vezes para segundo plano. As regras e legislações a respeito da proteção da população, dos residentes, dos consumidores, são frequentemente mais eficazes que aquelas que dizem respeito à prevenção da saúde dos trabalhadores. O caso do Bisfenol A é um episódio revelador. Tanto mais que esta molécula perigosa é proibida nos biberões [mamadeiras]. O problema é que se esquece de interrogar os trabalhadores que manipulam produtos que contêm bisfenol. É lógico: falar da saúde das crianças provoca uma reação mais rápida que se evocar a situação das trabalhadoras das empresas de limpeza. Isto alimenta o debate sobre o que deve ser uma ecologia política que integre a questão das desigualdades sociais.

Em França, em casos como o das próteses PIP ou em alguns acidentes industriais, quase não se ouve o ponto de vista das pessoas que trabalham nessas empresas. Como explica esse processo?

Quando os trabalhadores fabricam produtos que contêm substâncias perigosas, eles próprios podem não saber disso forçosamente. Na França, o assunto Adisseo, uma empresa que conheceu um grande número de casos de cancro entre os seus empregados6, é emblemático destas situações. No caso das próteses PIP, parece que é semelhante. É em primeiro lugar da responsabilidade dos industriais. É preciso impor-lhes uma avaliação prévia dos riscos, antes de um produto ser lançado e que seja obrigado a ser reavaliado dez anos mais tarde por causa da sua periculosidade. Outro elemento: a chantagem do emprego. Não são os trabalhadores que decidem a composição de um produto! Por outro lado, a produção inicial pode não ser o risco mais perigoso, mas sim a sua dispersão. Fabricar um produto de limpeza, por exemplo, pode não ser muito perigoso, mas utilizá-lo poderá desencadear graves prejuízos à saúde. Sem esquecer o que se passa com a sua reciclagem… Isto põe a questão da solidariedade interprofissional.

Entrevista conduzida por Ivan du Roy, publicada em basta!a 7 de fevereiro de 2012

Tradução do espanhol de Carlos Santos para esquerda.net

1Diretor do departamento Condições de trabalho, saúde e segurança do Instituto sindical europeu (Etui, European Trade Union Institute), o centro independente de ninvestigação e formação da Confederação Europeia dos Sindicatos (CES).

2 Realizado junto de 44.000 trabalhadores, a consultar aqui (em francês).

3 Segundo as estimativas do projeto Carex, Carcinogen Exposure database, respeitante aos 15 Estados membros em 1995, mais a República Checa e os países bálticos. Este projeto não foi alargado aos outros países membros.

4 Candidato presidencial do PS francês.

5 Ler a este respeito a tribuna de Dominique Huez, médico do trabalho.

6 Em 2007, houve 25 casos de cancros do rim, dos quais 9 morreram, numa análise que viu cerca de 82 pessoas. Ler aqui.

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*Retirado do Esquerda.net

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Divulgando: III Fórum Trabalho e Saúde. Saúde e Precarização do Homem Que Trabalha

22/07/2011

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Dias 10 e 11 de agosto de 2.011 na Universidade Estadual de Londrina

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III Fórum Trabalho e Saúde
Saúde e Precarização do Homem Que Trabalha

10 e 11 de Agosto de 2011

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Local: UEL – Universidade Estadual de Londrina
Promoção: RET/ADESAT
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É só clicar em cima:

Programação


Folder do Evento – Versão para Impressão

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Saúde do Trabalhador: ” Operário da Foxconn se queixa de pressão e ritmo de trabalho”

12/05/2011

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“Da porta para fora, é uma coisa. Lá dentro, é outra”, cochicha um dos funcionários em Jundiaí da Foxconn, a gigante asiática que anunciou em abril investimentos de US$ 12 bilhões para produzir iPads no Brasil.

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A reportagem demonstra um pouco o real significado do jargão "negócio da China".


A reportagem é de Natália Paiva e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 08-05-2011.

Operários na linha de produção da maior fornecedora de componentes eletrônicos do mundo reclamam de coação para fazer hora extra, pressão para atingir metas, ritmo de trabalho hiperintenso, múltiplos contratos de experiência e alta rotatividade. “Dizem que precisam de gente para sábado e domingo. Se a gente diz que não dá, perguntam: “Por quê? Que compromisso você tem?”. Falam bem perto, assim [indica proximidade face a face]. A gente se sente coagido.”

Nas varas do Trabalho de Jundiaí, há 166 ações contra a Foxconn, que emprega cerca de 3.000 pessoas na cidade. Dessas, 87% foram contratadas a partir de 2009. A Itautec, com 1.600 funcionários, acumula 151 ações desde 1994. A chinesa AOC (com 1.000 empregados), 41 ações desde 2008. A Foxconn não se pronunciou.
No ano passado, a empresa teve de modificar condições de trabalho na China após uma onda de suicídios.

CRESCIMENTO RÁPIDO

Erazê Sutti, advogado do sindicato dos metalúrgicos da região, diz que há problemas em todo o setor, mas que a Foxconn cresceu muito rápida e desordenadamente.

“Por causa da demanda de trabalho, com horas extras, ela conseguiu causar lesão em trabalhadores em seis meses, coisa que a gente não imaginava ser possível.”

Uma das principais queixas nas ações, diz Sutti, é doença do trabalho. “Você tem de se adaptar ao posto, eles não pensam no corpo do funcionário”, reclama uma operária. O advogado salienta, contudo, que “são poucas as empresas que respeitam as normas de ergometria”.

Outras queixas recorrentes eram múltiplos contratos de experiência – o que é ilegal. “Isso diminuiu um pouco com o crescimento da economia e a falta de mão de obra.” Mas funcionários ainda reclamam dessa prática. O histórico da Foxconn em Jundiaí e em Indaiatuba, as maiores das cinco fábricas do grupo no país, apresenta idas e vindas com o Ministério Público. Em 2007, mil temporários foram regularizados, 21 estrangeiros foram deportados e a empresa pagou multa superior a R$ 50 mil.

“Eles ficaram mais atentos à legislação, até porque senão pesa no bolso”, diz Sutti. Na Zona Franca de Manaus, onde há cerca de 5.000 brasileiros em mais de dez empresas chinesas, há relatos, via sindicato, de coação. Na porta das fábricas chinesas, no entanto, é difícil encontrar quem fale sobre o tema. Mas a advogada Geysa Mitz, que assessora dez sindicatos, diz que metade de suas ações por assédio (humilhação na frente de colegas) está ligada às chinesas.

O procurador-geral do Trabalho, Otavio Brito Lopes, afirma que, quando há problemas, as empresas chinesas costumam “mostrar que querem se adaptar”. “Elas desejam ocupar mais espaço no Brasil e não querem que a questão cultural [1] seja usada como argumento contrário.

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*Retirado do IHU Online

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[1] Isso se refere ao fato de que é comum os gestores das empresas chinesas argumentarem “na China é assim e até pior” frente à alegações de superexploração e assédio moral no trabalho, dzendo ser “normal na cultura chinesa”. Ao ver do autor do artigo as empresas chinesas têm uma tendência a mudar o discurso e se adaptar a “cultura” brasileira, e não querer forçar  a “cultura” chinesa no Brasil, senão possuem o risco de criar resistências a abertura do território a empresas chinesas.


McDonald´s: Maus tratos e superexploração

25/02/2011

Se esse preâmbulo já está ótimo do Brasil de Fato virtual já está ótimo, imaginamos que a matéria completa (impressa) está entre as melhores dos últimos tempos do jornal. Parabenizamos o jornal por estar atento a questão de Saúde do Trabalhador, que encontra na rede McDonald’s (e semelhantes) talvez suas piores condições em se tratando de empresa legalizada e formalmente respaldada pelo poder.

Piores condições apenas em porões e fundos de quintal onde exploram o trabalhador em regime ainda mais escravo e opressor. Aproveito para comentar que, por mais que seja de contentamento as ações tomadas pelo MPT, ainda é pouco: pressionar de verdade o McDonald’s é ordenar o seu fechamento temporário, pois para manter os lucros alguns milhões em multas não são considerados uma grande tragédia dentro da empresa.

MCDONALD’S: MAUS TRATOS E SUPEREXPLORAÇÃO

24/02/2011

Nesta semana, nas bancas, o jornal Brasil de Fato traz uma grande reportagem sobre a superexploração e maus tratos que sofrem os jovens e adolescentes na maior rede fastfood do mundo. Confira a seguir trechos.

Por Michelle Amaral, da reportagem

McDonald's: maus tratos aos trabalhadores, péssimas condições de trabalho e baixíssimos salários. Fonte: 3.bp.blogspot.com/

“Uma vez eu estava com uma bandeja cheia de lanches prontos para serem entregues e escorreguei. Quando ia caindo no chão, meu coordenador viu, segurou a bandeja, me deixou cair e disse: ‘primeiro o rendimento, depois o funcionário’”, conta Kelly, que trabalhou na rede de restaurantes fast food McDonald´s por cinco meses.

“Lá você não pode ficar parado, se sentar leva bronca”, relata Lúcio, de 16 anos, que há 4 meses trabalha em uma das lojas da rede na cidade de São Paulo. “Você não tem tempo nem para beber água direito”, completa José, de 17 anos. “Uma vez eu queimei a mão, falei para a fiscal e ela disse para eu continuar trabalhando”, lembra o adolescente. Maria, de 16 anos, ainda afirma que, apesar da intensa jornada de trabalho nos restaurantes, recebe apenas R$ 2,38 por hora trabalhada.

Os relatos acima retratam o dia-a-dia dos funcionários do McDonald´s. Assédio moral, falta de comunicação de acidentes de trabalho, ausência de condições mínimas de conforto para os trabalhadores, extensão da jornada de trabalho além do permitido por lei e fornecimento de alimentação inadequada são algumas das irregularidades apontadas por trabalhadores da maior rede de fast food do mundo.

Somente no Brasil, o McDonald´s tem mais de 600 lojas e emprega 34 mil funcionários, em sua maioria jovens de 16 a 24 anos.

As relações de trabalho impostas pelo McDonald´s são objetos de estudo de muitos pesquisadores. Do mesmo modo, pelas irregularidades recorrentes, a rede de fast food é alvo de diversas denúncias na Justiça do Trabalho.

Em São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Restaurantes de São Paulo (Sinthoresp), ao longo dos anos, tem denunciado as más condições a que são submetidos os funcionários do McDonald´s.

Esperamos que a Justiça se posicione e continue condenando, sempre que for necessário, essas empresas que cometem abusos contra os trabalhadores. Fonte: http://www.2kad.net

Recentemente, resultou em uma punição ao McDonald´s uma denúncia feita há quinze anos pelo sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT) da 2ª Região, em São Paulo. Trata-se de um acordo que, além de exigir o cumprimento de adequações trabalhistas, estabelece o pagamento de uma multa de R$ 13,2 milhões.

Desse valor, a rede de fast food deve destinar R$ 11,7 milhões ao financiamento de publicidade contra o trabalho infantil e à divulgação dos direitos da criança e do adolescente durante os próximos nove anos. Além disso, a rede deve doar R$ 1,5 milhão para o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O compromisso foi firmado em outubro de 2010 e passou a valer em janeiro deste ano.

As investigações realizadas pelo MPT a partir da denúncia do Sinthoresp confirmaram as seguintes irregularidades: não emissão dos Comunicados de Acidente de Trabalho (CAT); falta de efetividade na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; licenças sanitárias e de funcionamento vencidas ou sem prazo de validade, prorrogação da jornada de trabalho além das duas horas extras diárias permitidas por lei, ausência do período mínimo de 11 horas de descanso entre duas jornadas e o cumprimento de toda a jornada de trabalho em pé, sem um local para repouso.

O MPT também apontou irregularidades na alimentação fornecida aos trabalhadores: apesar de oferecer um cardápio com variadas opções, o laudo da prefeitura de São Paulo reprovou as refeições baseadas exclusivamente em produtos da própria empresa por não atender às necessidades nutricionais diárias. Em relação à alimentação, o McDonald´s chegou a ser condenado, em outubro de 2010, pela Justiça do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que, após trabalhar 12 anos e se alimentar diariamente com os lanches fornecidos pela rede de fast food, engordou 30 quilos. (A reportagem completa você lê na edição impressa número 417 do jornal Brasil de Fato).

Os nomes dos funcionários citados na matéria são fictícios.

Confira a capa da edição desta semana do Brasil de Fato.

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*Retirado do Brasil de Fato


Seminário Saúde do Trabalhador – CENEPES

16/09/2010

Este ano o Seminário do CENEPES (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Saúde), que já está em sua 22ª edição, será realizado em Curitiba, paraná, nos dia 09 a 12 de outubro de 2010, sediado pelo Diretório Acadêmico Nilo Cairo – DANC-UFPR. Tem-se como tema  ” A Saúde da Classe Trabalhadora”, com o objetivo de debater e aprofundar o conhecimento acerca dos impactos das condições e relações de trabalho sobre a saúde dos trabalhadores em geral (inclusive médicos).

Durante muito tempo o movimento estudantil de medicina esteve preso às discussões apenas no âmbito das políticas públicas de saúde, ficando restrito ao sistema de saúde. Pretende-se através desse seminário dar um passo adiante neste debate, ao trazer à tona os problemas que precedem o adoecimento do trabalhador, ou seja, os elementos que estão na raiz do processo saúde-doença. Neste sentido passa a ser o nosso objeto de análise e intervenção não apenas no sistema público de saúde, mas principalmente no ambiente e as relações de trabalho. Adiantamos que o objetivo do seminário não é apenas entender a necessidade do uso de EPI’s (equipamentos de proteção individual) ou ainda aspectos técnicos da prevenção de acidentes. Decidimos por esse tema por acreditar que a organização dos trabalhadores na luta por melhores condições de vida traz resultados capazes de modificar profundamente o processo de adoecimento da população.

São inúmeros os exemplos que provam como, através da organização política, conquistam-se melhores índices de saúde. Poderíamos citar a licença maternidade, pauta de reivindicação conquistada com muita luta pelas trabalhadoras, iniciada na Europa, e que reduziu drasticamente a mortalidade infantil. Um exemplo mais atual são os médicos residentes, que vem travando uma batalha para garantir tempo suficiente para dormir, comer, estudar e trabalhar em condições dignas. E, assim, garantindo não apenas melhores condições de vida para ele mesmo, mas também garantindo melhores condições de desenvolvimento de seu trabalho, e, assim, contribuindo para o aumento da qualidade do sistema de saúde.

A partir desse ponto de vista, apesar de sua importância, entende-se o quão limitada é a medicina para a resolução de problemas de saúde, e por isso faz-se necessário extrapolarmos suas fronteiras para compreender e agir nas causas e não na aparência dos problemas que nos cercam.

Programação

Sábado (09/10/2010)
Manhã – 8h-12h:
Acolhimento, Motirô e Credenciamento.

Tarde: 14:30h – 16:30h
Painel: Saúde do trabalhador X Saúde ocupacional X Medicina do trabalho

Noite 18:30h
Painel de abertura

19:00h– Mesa I: Trabalho humano e a produção de riqueza ; Relações de trabalho na sociedade atual ; O Trabalhador coletivo .

Domingo (10/10/2010)
Manhã 8:00h – 12:00h:
– Oficina: A geração de riqueza

8:00h – 10:00h: – Oficina: Saúde da trabalhadora
10:00h – 12:00h: – Oficina: Trabalho e saúde mental
Tarde 14:00h – 18:00h: – Oficina: Introdução à Economia Política

14:00h – 16:00h:

  • Oficina: As condições do trabalho do médico residente
  • Oficina: Opressões específicas no ambiente de trabalho

16:00h – 18:00h:
– Painel: A condição salarial e de trabalho do Médico no Brasil
– Oficina: A saúde do trabalhador em saúde


Noite 20:00h
– Mesa 2: Função dos Serviços de Saúde e modelos operários de organização da saúde


Segunda (11/10/2010)

Manhã
8:00h – 12:00h – Oficina: O processo de formação de consciência
8:00h – 10:00h – Oficina: O ambiente de trabalho

10:00h – 12:00h
– Oficina: O Ato médico e a divisão do trabalho na saúde
– Oficina: A integração entre universidade e melhorias nas condições de vida dos trabalhadores


Tarde14:00h – 18:00h
– Vivência em empresas de Curitiba + Discussão

Noite20:00h
– MESA 3: A opção de classe

Terça-Feira (12/10/2010)
8:00h – 15:00h Reunião dos Órgãos Executivos da DENEM – ROEX

Maiores informações em www.danc.com.br

O 1º Prazo para as inscrições do Seminário do CENEPES foi prorrogado até o dia 02 de outubro de 2010 (sábado), devido aos patrocínios conseguidos de sindicatos parceiros. Clique aqui e faça a sua inscrição.

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Simpósio do Hospital do Trabalhador – 24 e 25 de Setembro

31/08/2010

Dia 24/09 – período da manhã (8:00 às 12:00hs)
*Exposição ocupacional a material biológico
Enfª Tatiana Braga de Camargo
Infectologista Dr.Moacir Pires Ramos

* Dermatoses ocupacionais
Dermatologista Dra. Vanessa Ottoboni

Dia 24/09 período da tarde (14:00 às 18:00 hs)

*LER/DORT
Ortopedista – Dr.Marcelo Abagge
Reumatologista- Dra. Sinara Freitas
Médica do trabalho e Reumatologista – Dra. Kéti S Patsis

Dia 25/09 período da manhã -( 8:30 às 12:30)
* Transtorno mental relacionado ao trabalho/Assédio Moral
Dra. Margarida Maria Silveira Barreto (SP)
Prof. Dra. Lis Andrea Soboll (PR) Depto de Psicologia UFPR
Procuradora do Trabalho (PR) nome a confirmar
UFPR- Depto Psiquiatria – nome a confirmar

Inscrições no e-mail: centroestudos@sesa.pr.gov.br Fone 3212-5827
Não há taxa de inscrição.
Local: Auditório do Hospital do Trabalhador
End. República Argentina, 4406