Amianto mata e precisa ser proibido, diz especialista.

13/08/2010

A proibição do amianto, muito utilizado industrialmente na construção civil, foi defendida mais uma vez na Câmara de Curitiba, nesta quarta-feira (11), durante horário reservado à Tribuna Livre. Segundo Fernanda Giannasi, engenheira civil e especialista em segurança do trabalho, o Paraná é o Estado que mais produz o minério fibroso, conhecido também como asbesto, “que, apesar de suas propriedades aparentemente positivas para a indústria, mata”, alertou. O amianto causa câncer de pulmão, laringe, ovário e abdome.
De acordo com a especialista, os riscos de contaminação estão presentes desde a produção de materiais que utilizam as fibras (telhas, caixas d´água, cosméticos, tubulações, divisórias, pisos e forros) até a destruição, pela liberação das fibras que acabam sendo inaladas. “Buscamos a conscientização dos empresários com relação ao amianto, que é altamente cancerígeno, para substituição deste material por outras fibras menos nocivas à saúde dos trabalhadores”, esclareceu, acrescentando que a não aceitação das empresas ocorre porque o amianto é mais barato que as novas tecnologias de substituição.
Na tribuna da Casa, Fernanda informou que as doenças provocadas pelo amianto podem levar até 40 anos para se manifestarem e, em sua maioria, não têm cura. Além disso, não é apenas o trabalhador, que tem contato direto com a poeira, que corre risco, mas também aqueles que ficam eventualmente expostos à poeira. “O pó que os trabalhadores carregam, sem nem perceber, nas roupas e no cabelo podem adoecer seus familiares”, enfatizou.
Quatro Estados e 20 municípios já baniram o amianto. Entre eles, São Paulo, que promove anualmente a Semana de Proteção Contra o Amianto, que alerta para a necessidade de cuidados no descarte de produtos à base de amianto como medida de preservação do meio ambiente.

Empregos
Com relação ao mito de que a proibição do amianto causará inúmeros desempregos, a engenheira salientou que a “cadeia produtiva do amianto emprega cerca 3,5 mil funcionários no País e que, no Paraná, os empregos não estão ameaçados”, já que a ideia é substituir a fibra por outros produt os com grau menor de nocividade. Os únicos empregos ameaçados, de acordo com ela, são os da área de mineração, em Goiás. “A saúde de pais de famílias tem que estar acima dos lucros de empresários”, afirmou.

Armadilha
Fernanda Giannasi alertou sobre a existência de acordos extrajudiciais, em torno de três mil no País, realizados entre empresas e empregados, para que os funcionários não possam processar a empresa em caso de doenças. “Isso é uma armadilha . Cuidado com o que vocês assinam”, frisou a especialista, ao falar aos trabalhadores que acompanhavam a sua apresentação na Câmara.
No tribunal de Turim, na Itália, disse, “há ações contra proprietários da Eternit a favor dos funcionários italianos e, agora, também de brasileiros afetados pelo amianto.”

Box
Embora existam movimentos no sentido de proibir o uso do amianto no Brasil, interesses econômicos ainda prevalecem em detrimento da saúde e da vi da. Vereadores têm trabalhado em favor da saúde destes trabalhadores, defendendo que o amianto seja substituído por outro material não prejudicial, como já ocorre em quatro Estados do Brasil.
Após a explanação da engenheira Fernanda Giannasi, os parlamentares comentaram as fatalidades, a legislação vigente, preocupação com a saúde e parabenizaram a luta. Líder do prefeito, o vereador Mario Celso Cunha (PSB) questionou o posicionamento do Ministério da Saúde e do governo federal diante dos malefícios do amianto, que ainda não proibiram o uso do produto. O vereador Paulo Frote (PSDB) afirmou que se trata de falta de vontade política e seriedade do Congresso Nacional. Segundo Fernanda, muitos números de casos de doenças não são revelados nas estatísticas das indústrias para não comprometer a competitividade, prejudicando as ações públicas em favor de tais trabalhadores. Informou, ainda, que projeto proibindo a comercialização do amianto no Estado tramita na Assembléia Legislativa. Porém, a iniciativa municipal também é importante para garantir a fiscalização, que é necessária.
Integrantes de movimentos sindicais, os vereadores Clementino Vieira (PMDB) e Denilson Pires (DEM) demonstraram preocupação com a perda de empregos devido à substituição do amianto, mas se colocaram à disposição desta luta em favor dos trabalhadores. De acordo com Fernanda, a substituição do amianto é algo que já deveria ter acontecido, tendo em vista o aumento do consumo das telhas de barro, cimento, plástico e até mesmo as produzidas com caixas de leite. Neste aspecto, a vereadora Julieta Reis (DEM) sugeriu iniciativas em defesa do meio ambiente, no incentivo do uso de materiais recicláveis. A medida tornaria inviável o uso de amianto e tornaria mais baixo o custo do produto.
Sensibilizados com a causa, outros vereadores também se colocaram à disposição, como Professora Josete (PT), João do Suco (PSDB), Jonny Stica (PT) e outros.

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