Ator Fábio Assunção redige excelente protesto à forma que estão tratando as pessoas da Cracolândia

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14/01/2012

Do UOL, em São Paulo

Durante todo o texto, Fábio ataca o tratamento dado pelo governo aos usuários de drogas e destaca a situação como uma “problemática grave e perigosa”. “O que leio diariamente sobre a ação da polícia, visita das autoridades e discussões dos representantes da sociedade sobre a cracolândia, deixa evidente a dificuldade do homem em assumir e ser honesto frente a questão da dependência química no mundo ou aqui no Brasil, problemática grave e perigosa, vivida por 14% da população mundial, ou, 700 milhões de pessoas.”

O ator sofreu durante anos com a dependência química, mas em 2011 falou abertamente sobre o assunto no programa “Altas Horas” e disse que ter vivido esse problema o transformou em uma pessoa melhor, que conheceu limites que  desconhecia:

Leia o texto na íntegra:

“O que leio diariamente sobre a ação da polícia, visita das autoridades e discussões dos representantes da sociedade sobre a Cracolândia, deixa evidente a dificuldade do homem em assumir e ser honesto frente à questão da dependência química no mundo ou aqui no Brasil, problemática grave e perigosa, vivida por 14% da população mundial, ou 700 milhões de pessoas.

Delegada pelo Estado aos homens discriminados pela sua pobreza e raça, os administradores da produção e distribuição de entorpecentes [1]. Quem realmente anda batendo cabeça não me parece serem apenas os dependentes de álcool e drogas, os drogados como os seres fúteis e ignorantes costumam chamar, e sim a sociedade, que se torna indecente com tanta hipocrisia e demagogia.

Enquanto não nos libertarmos do nosso sentimento equivocado de superioridade aos que vivem num labirinto de desespero e solidão e enquanto não formos honestos com nossas vidas, essa tristeza vai continuar. Mas tudo bem, para quem prefere se declarar estrangeiro à essa questão.

Um dia seus filhos o farão pensar sobre isso de forma humanitária. Nada como um dia após o outro. Crime é fechar os olhos àquilo que precisa de inteligência e verdade, além, claro, de amor. Nossas autoridades passeiam pela Cracolândia como se estivessem no Simba Safari, olhando os animais do carro, rezando para não serem atacados.

O frágil não são os senhores, são as almas em busca do nada, sem a capacidade de desenhar um caminho verdadeiro. Aliás, minto, os frágeis são sim, os senhores, por que é preciso ser forte para vencer uma tempestade e os senhores não vivem sem seus guarda-chuvas de papel.

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Nota [1]: dá para ter certeza de que esta frase está incompleta, que não foi terminada. Constatamos que o equívoco foi cometido pelo próprio Fábio Assunção, quando postou no Facebook, fonte original do texto.

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*Retirado do UOL

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