Abre-te Sésamo!

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Abre-te Sésamo!

E abriu-se a parede da gruta. Ali Babá espreitava o que estava ocorrendo. Espantado, ele viu que ela acomodava um precioso tesouro, proveniente dos roubos que os homens vinham praticando nas cidades da região. Então carregou o que pôde num saco e voltou para casa.
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Por Elaine Rodella,
cidadã brasileira
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Há dez dias a secretária da criança, Fernanda Richa, afirmou que o grupo político do governo Beto Richa, do Paraná, é democrata, que ouviria a todos sobre a lei que cria as Organizações Sociais – OS. O depoimento está gravado. Ao saber da pressa do governo em votar, Fernanda lavou as mãos.
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Há cerca de uma semana, o presidente da Assembleia Legislativa disse, em reunião com representantes dos movimentos sociais, que apenas cumpriria o Regimento da Casa e que nada poderia fazer para tentar prorrogar o prazo para votação e discussão da proposta de lei que cria as OS no PR. Rossoni se esqueceu da relação partidária que tem. Aliás, relação bastante íntima com o governador. Amnésia necessária.
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E quem tiver tempo sobrando pode também se deliciar com as exposições e argumentos utilizados por diversos deputados da situação. Ademar Traiano, Reinhold Sthefanes, Elio Rusch fazem discursos, no mínimo, equivocados, mostrando desconhecimento geral do que ocorre no serviço público. O pior é que tudo não passa de um grande jogo de cena.
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O pano de fundo dominante é o abominável interesse de vender o patrimônio público e, com isso, abrir mais caminhos para a nociva troca de favores.
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Sim, troca de favores. Sinônimo de balcão de negócios. Nesse escambo com o dinheiro público, quem paga a conta é a classe trabalhadora.
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O líder do governo Ademar Traiano quer a saúde para entregar aos poderosos empresários da doença. Sthefanes, que já foi vice-presidente da Associação Paranaense de Reabilitação (APR), enxerga na proposta de entrega do Centro Hospitalar de Reabilitação – construído em cima do terreno da APR –, abertura para conquistar mais convênios com o Estado. Assim, é dinheiro fácil no bolso de quem não vê saúde como direito, mas como mercadoria.
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Seriedade nota zero. É só constatar a situação do Centro de Reabilitação.
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E o PMDB velho de guerra. Esse agrupamento dá provas incontestáveis de que o partido, quase a nocaute, preferiu se render. Hoje, o que se vê é um partido de joelhos. Nos oito anos em que estiveram à frente do comando do Estado, foram achincalhados pela bancada de deputados da atual situação. Não havia sessão sem troca de farpas. Os mesmos Rossoni, Rusch, Traiano eram oposicionistas implacáveis contra o governo do PMDB como um todo.
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Apesar de todas as estocadas, os peemedebistas se alternam, agora, entre cordeiros e chupins do governo. Em troca de pouca coisa é que não é. Hoje, o PMDB reitera juras de amor eterno a cada votação.
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Pior é o projeto ideológico. Até pouco mais de um ano, o grupo defendia a Carta de Puebla. Atualmente, os correligionários do partido apoiam e aprovam o aumento das tarifas do Detran, a entrega do serviço público, a falta de licitações. Os partidos da base aliada agridem a inteligência da sociedade.
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Se Rossoni, Traiano e Richa traem o povo, eles não estão sozinhos. Todos querem tomar de assalto o patrimônio público e fazem parte do bloco do Ali. Sim, o Babá, do “Abre-te Sésamo”. Votos de rapina!
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Sabemos que esses políticos, pelo poder econômico, vão se reeleger. Não temos ilusões quanto a isso. Exemplos não faltam: estão aí os deputados Alexandre Curi, do PMDB, e Nelson Justus, do DEM, que não nos deixam mentir. Esses dois protagonizaram no ano passado (de eleição, destaque-se) o maior escândalo administrativo da Assembleia Legislativa do Paraná. E mais: o Estado tem de continuar a ser servo do capital e do interesse da burguesia. A elite tem de ser preservada. E o parlamento é parte da engrenagem da conservação dos poderosos.
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E o aparato policial que foi montado. Nada contra os PMs no cumprimento de suas funções. Quem já viu em frente a sua casa assaltada 29 viaturas da polícia? Quem já viu em seu bairro 200 policiais a postos, enfileirados e armados? Mas foi o que se assistiu na Assembleia. Para quê? Para reprimir aqueles que ainda têm brio e dignidade para lutar.
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E o governador Richa, como fica nisso tudo? Atribui todo o ocorrido na Assembleia a lideranças de oposição. Segundo ele, baderneiros comandados por um partido oposicionista. É mais uma autoridade que não quer olhar no espelho e ver onde errou. Não fala da pressa com que determinou que o processo de votação da PL-915 fosse concluído com o objetivo maior de espoliar a população do direito de se expressar.
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Richa mostra seu preconceito com quem pensa diferente. Tratou a todos de forma igual. Todos esses que ousam falar contra o projeto tucano são seus inimigos. Não sabe a diversidade ou a pluralidade de movimentos, pensamentos e pessoas que protestavam contra a urgência de votar uma proposta.
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Não deu qualquer chance para saber quem são e o que pensam essas pessoas. O pensamento pequeno conduz o governador que, aliás, sempre demonstrou ser guiado pelos marqueteiros que escrevem seus discursos e falas. E a reação do governador é tão equivocada quanto à de seu antecessor, um homem de grandes rompantes.
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Nesse episódio, Richa se equiparou ao lastimável estilo Requião de ser e agir. Ambos tomados pela fúria incontrolada. A história se repete. Dois governadores que administram o Estado da seguinte forma: os que estão comigo têm tudo. O restante, nada!
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5 de dezembro fica na história. Entra para a coleção de dia em que a agressão e os interesses desenfreados determinaram o rumo da destruição da política pública no Paraná.
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O caminho que resta construir não é idolatrar personalidades ou líderes. Não é forjar uma sociedade feliz. É mostrar que muitos vendem o que não lhes pertence.
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Cabe a nós, trabalhadores, externar a indignação e a vontade de não se igualar aos canalhas que se fartam do ar condicionado e dos luxuosos gabinetes pagos com o dinheiro que vem da mais valia, que explora a classe trabalhadora.
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Na Assembleia, no Palácio do governo se difundem a aberração de caráter, a degeneração da ética e o apodrecimento da idoneidade. Já sinto repulsa quando passo pelo Centro Cívico.
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