Bônus para residentes causa polêmica

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*Retirado da Gazeta do Povo

Médicos

Bônus para residentes provoca polêmica

Estudantes que trabalharem em áreas pobres terão aumento nas notas das provas para cursos de residência médica

Publicado em 18/10/2011 | Agência O Globo

O programa federal que pretende levar médicos recém-formados para trabalhar em regiões carentes do país causou uma batalha entre dirigentes universitários e governo. O programa concede bônus nas provas de ingresso nos cursos de residência médica a alunos que aceitarem trabalhar em áreas pobres. Os críticos da medida alegam que ela interfere na autonomia universitária. Tam­­bém duvidam que o programa conseguirá suprir a carência de profissionais na periferia das grandes cidades e em municípios pobres.

A iniciativa abrirá 2 mil vagas a partir de 2012, e os médicos que trabalharem por um ano nas regiões a serem definidas terão 10% de bônus na prova de residência, além do salário pago pelas prefeituras. Os profissionais que ficarem dois anos terão 20% de bônus. O curso de residência dá ao médico o título de especialista e é bastante disputado, com 10 mil postos para 13.800 formandos por ano.

A crise veio à tona no mês passado, quando as quatro universidades estaduais paulistas (USP, USP-Ribeirão Preto, Unicamp e Unesp) enviaram uma carta para a Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação em que pedem a revogação da resolução. Elas afirmam que a medida é “uma flagrante interferência na autonomia universitária” e causa “distorção do processo ao macular a seleção por mérito”.

Supervisão

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ainda não tomou uma posição oficial, mas o diretor da Escola Paulista de Medicina, da instituição, Antonio Carlos Lopes, avalia que os médicos não têm condições de exercer a profissão sem supervisão logo depois de deixarem as instituições de ensino. O Conselho Federal de Medicina, por sua vez, apoiou a iniciativa e participou das discussões sobre sua formatação.

O programa, que é uma parceria dos ministérios da Saúde e da Educação, prevê que os profissionais tenham supervisão de instituições de ensino. Um dos objetivos é usar o Telessaúde, portal do Ministério da Saúde que permite a troca de informações sobre o paciente, com o envio de exames, por exemplo.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Júnior, acredita que o problema da falta de médicos poderia ser resolvido se fosse criado um plano de carreira para os profissionais dentro do Sistema Único de Saúde. Os médicos iniciariam a carreira nas regiões mais distantes e, conforme fossem progredindo, poderiam se transferir para as áreas centrais. De acordo a secretaria-executiva da Co­­missão Nacional de Residência Médica (CNRM) do Ministério da E­­du­­cação, foi realizada uma pesquisa com estudantes de Me­­dicina, que apontaram que a bo­­nificação para residência seria um fator de atração para as regiões carentes. A secretária-executiva da CNRM, Maria do Patro­­cínio, acredita que a supervisão dos médicos, mesmo que a distância, pode ser eficiente.

Posição contrária e a favor da proposta

(clique na imagem para ampliar)

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3 Responses to Bônus para residentes causa polêmica

  1. Machuka disse:

    Bom pelo que entendi os medicos iriam para as regioes pobres antes de fazer a residencia. Isso é um absurdo quer dizer que as regioes carentes estaram servindo de laboratorio medico?

    “Os médicos iniciariam a carreira nas regiões mais distantes e, conforme fossem progredindo, poderiam se transferir para as áreas centrais” – isso quer dizer que os medicos mais experientes (o que conta muito na area de saude em relação a qualidade) estariam sempre no centro e as periferias continuam com o problema de alta rotatividade de medicos e atendimentos mais precarizados.

    O povo precisa de atenção a saúde, de pessoas que gostem do povo que amem a profissao e que saibam porque trabalham com isso

    • fops1 disse:

      Machuka,

      A sua observação não apenas é correta, como muito pertinente nesse debate.

      Aproveitamos para dizer que em muito insistimos que no debate de inserir médicos nas regiões distantes e/ou pobres, a política real seria não de “artifícios de convencimento e de atração” ao profissional médico, mas uma política pública que mudasse radicalmente a origem social dos estudantes de medicina nas universidades públicas. Se se continua a ter uma maioria de médicos que não querem sair dos grandes centros ou não querem trabalhar com a população mais humilde, pouco vai adiantar. Tem de se possibilitar cada vez mais o acesso aos cursos de Medicina aos filhos das famílias de trabalhadores, e que tenham clareza e vontade de atender às demandas sociais mais urgentes, e não utilizem o curso apenas com pretensões de ascensão social e perspectiva de um futuro confortável, como ocorre muito.

      Por exemplo, já conhecemos secretário de saúde em Roraima oferecendo 22 mil reais de salário, mais custeio de habitação e transporte, fora algumas gratificações, para contratar um neurologista, e mesmo assim continuou sem interessados no emprego. Então, a questão não é apenas atração salarial, mas como você colocou, tem de existir vontade do profissional em atender as demandas.

      Por fim, agradecemos em muito sua participação aqui no blog!

      Abraço,
      Secretaria do Fops/PR

  2. patricia disse:

    Sou estudante de medicina e sinceramente, não estou me sentindo atraída, estou me sentindo obrigada a participar do programa, coagida seria um termo melhor empregado. Caso não participe do programa, um outro aluno,talvez com um currículo não tão bom quanto o meu ou de muitos outros alunos que se esforçam nos 6 anos, conseguirá a vaga da residência em troca de trabalhar 2 anos sem acompanhamento de um mentor. Inacreditável, e juro que inocentemente pensei que esse governo poderia ser democrático!

  3. Ana Paula Pedro disse:

    Essa conversa vai longe… começando pela formação na graduação: hoje em dia chegamos ao sexto ano e precisamos nos concentrar em materiais como apostilas, EM VEZ DE NOS CONCENTRAR NO APRENDIZADO DO INTERNATO para prestar o concurso de residencia médica, pois a formação médica na graduação não nos dá condições para competir no mesmo e a prova para seleção não avalia habilidades técnicas, mas conhecimentos teóricos através de questões pontuais.

    Entramos no período de residencia médica, durante o qual trabalhamos muito, com remuneração insatisfatória, o que nos faz precisar complementar os ganhos com plantões extras. Em relação ao apoio acadêmico, no geral é satisfatório durante a formação na residência médica.

    **Escolhemos a especialidade em que vamos atuar levando em consideração A AFINIDADE PELA ESPECIALIDADE, que nos é de direito, mas também o futuro, em relação a retorno financeiro e satisfação profissional.

    Por que será que poucas pessoas querem fazer especialização em medicina de família???? Tenho uma lista ENORME de motivos:

    – condições estruturais de trabalho inadequadas
    – salários aquém do justo para o trabalho que, apesar de ser chamado de atenção básica, não tem nada de básico, pois o atendimento do paciente é integral e o ser humano é muito complexo, nada básico. Podemos chamar de atenção básica pelo fato de que com medidas simples – bem elaboradas e bem executadas – pode-se resolver mais da metade dos problemas de saúde da população
    – impossibilidade – podemos chamar de proibição – de se solicitar um exame de média/alta complexidade, pois estes são reservados aos especialistas. Um exemplo, se o paciente tem insuficiência cardíaca grave, o médico da atenção básica NÃO PODE solicitar um ecocardiograma, e precisa encaminhar o paciente para um cardiologista,tendo o retorno do paciente com o exame após mais de 6 meses…
    – falta de plano de carreira – com isso o médico se sente desestimulado, sabendo que vai atuar em uma área em que não há possibilidade de crescimento profissional

    Poderia escrever por uns dois dias…

    Por que será que querem agora IMPOR esse “estimulo” aos médicos para atuação em regiões sem condições nenhuma para o exercicio da promoção da saúde e controle de doenças???

    RESPOSTA: É MUITO MAIS FÁCIL INVENTAR ESTÍMULOS, COMO BÔNUS PARA PROVAS DE RESIDÊNCIA, PARA ATRAIR JOVENS MÉDICOS. SABEMOS QUE ESTES VÃO EXECUTAR O TRABALHO SOMENTE PARA OBTER O DIREITO AO BÔNUS, E ELES NÃO ESTÃO ERRADOS, POIS É O ÚNICO ESTIMULO QUE SE TEM PARA QUERER TRABALHAR SEM INFRA-ESTRUTURA E COM SALÁRIO BAIXO!!!!!!!!!!!!!!!!

    Deve-se buscar não tapar o sol com peneira através de caminhos mais fáceis, mas realmente investir em infra-estrutura, salário digno e dar ao médico a possibilidade de evoluir na área pretendida. O médico de família é o profissional de perfil mais próximo do que é o médico que todos gostaríamos de ser quando ingressamos na faculdade de medicina, resolvendo os problemas de saúde da população, mas o contexto em que esse profissional se insere não é NADA ATRAENTE…

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