Anvisa proíbe emagrecedores à base de anfetamina no país

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*Retirado da Gazeta do Povo

Apenas a sibutramina poderá ser receitada pelos médicos, mas com restrições que incluem a assinatura de um termo de responsabilidade

Publicado em 05/10/2011 | Osny Tavares, com agências

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu ontem proibir a venda e produção dos emagrecedores anfepramona, femproporex e manzindol, derivados da anfetamina. Presentes no mercado brasileiro há mais de 30 anos e indicados para a redução do apetite, esses medicamentos não reúnem estudos que comprovem sua eficácia e segurança. Eles terão de ser retirados do mercado em até 60 dias, contados a partir da publicação da resolução da Anvisa. Outro emagrecedor à venda no Brasil, a sibutramina continua liberada, mas com restrições.

A decisão sobre derivados da anfetamina, unânime entre a diretoria da agência, já era esperada. A discussão sobre a restrição ao uso desses medicamentos começou no Brasil em 2010, motivado por um estudo realizado pela Agência Europeia de Medicamentos (Emea). A pesquisa mostrou que 70% dos pacientes não perderam peso após serem medicados com a sibutramina. Porém, este medicamento acabou sendo o único dos emagrecedores que continua liberado no Brasil. O Conselho Federal de Medicina informou que vai ingressar na Justiça contra a proibição.

Nos consultórios

Para a endocrinologista Maria Edna de Melo, integrante da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e pesquisadora do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), o posicionamento da Anvisa não leva em conta a experiência prática dos consultórios, e será prejudicial aos pacientes. “A decisão partiu da câmara técnica da agência, formada por farmacêuticos e toxicologistas, profissionais com uma visão limitada do medicamento. Eles não têm experiência no tratamento de obesidade, e a decisão ignorou fatos científicos sobre esses fármacos”, critica.

Crônico

A bancária curitibana Elaine Assinelli, de 38 anos, alterna tratamentos contra sobrepeso há mais de duas décadas, e já usou o femproporex e a sibutramina. “Tomei femproporex por cinco anos. Obtive resultado, mas os efeitos colaterais incomodavam demais: tive alterações de humor e de batimento cardíaco, insônia e irritabilidade”, lembra.

Em 2009, passou a fazer tratamento com a sibutramina. “O ritmo de emagrecimento é mais acelerado, mas os efeitos colaterais são os mesmos”, recorda. Grávida, ela suspendeu os tratamentos contra sobrepeso. “Depois do parto, vou encerrar tratamentos com remédio e procurar outras alternativas, baseadas em regime e exercícios físicos.”

O nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, diz que o banimento dos medicamentos foi precipitado. “Não há dados científicos que demonstrem a necessidade da exclusão. Esses remédios estão no mercado há décadas, sem ter havido registro de óbito ou problemas graves relacionados a sua administração. Tanto que o FDA [entidade norte-americana que regula o comércio de remédios] não os retirou do mercado”, justifica.

O médico afirma que a decisão reflete uma discriminação ao tratamento da obesidade. “Essa disfunção não está sendo vista como uma questão médica, mas como algo relacionado à beleza, como se fosse algo menor”, ressalta. No Brasil, 16 milhões de pessoas usam controladores de apetite, contabilizando apenas as prescrições médicas legalizadas.

Obesidade

Alternativa a tratamento é questionada

Com o banimento dos emagrecedores anfetamínicos, os médicos reclamam que ficaram sem opções de tratamento medicamentoso para pacientes com obesidade. “Mesmo deixando a sibutramina no mercado, não é garantido que os pacientes que usam outros medicamentos responderão a essa fórmula”, destaca a endocrinologista Maria Edna de Melo, integrante da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e pesquisadora do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). “Agora, o que nos resta a fazer é perguntar para a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] como devemos proceder nos nossos atendimentos”, ironiza. “É um grande passo para trás no tratamento da obesidade”.

Indispensável

O nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, afirma que os medicamentos são indispensáveis para pacientes que chegaram à obesidade mórbida. “Antigamente, achávamos que o binômio atividade física e controle da alimentação seria suficiente para a redução de peso. Hoje, sabemos que essa prática é efetiva na prevenção da obesidade, mas para reverter um quadro mais grave é ineficaz isoladamente. A obesidade é uma doença crônica, que exige tratamento crônico”, relaciona.

Restrição

Sibutrmina terá controle severo

A sibutramina, único medicamento moderador de apetite com o registro mantido no Brasil, terá um novo esquema de vigilância, mais severo. O remédio foi proibido em vários países, como Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Argentina, Chile e Paraguai, por estar associado ao aumento da incidência de doenças cardíacas e derrames em pessoas com fatores de risco.

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