Curitiba sem fila para transplante de córnea

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Tempo de espera, que era de seis meses, foi reduzido para uma semana na cidade. Número de procedimentos cresceu 23,3% no primeiro semestre

Publicado em 03/08/2011 | Gabriel Azevedo

Curitiba entrou no rol de cidades que eliminaram a fila de espera para transplante de córnea. O tempo de espera para um transplante, que até há pouco tempo era de seis meses, foi reduzido para uma se­­mana. Ontem, a Central de Trans­plante do Paraná – órgão que faz o controle das listas de espera – registrava apenas dois pacientes inscritos na lista de ativos (considerados aptos a fazer a cirurgia) e oito córneas disponíveis.

O número de transplantes de cór­­nea cresceu 23,3% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Só em junho deste ano foram feitos 140, a maior quantidade desde que a Central de Trans­plantes do Paraná foi criada, em 1995. “Conscientização e logística. Melhoramos muito o serviço de captação e distribuição de córneas”, diz a diretora da Central de Trans­plantes, Arlene Badoch.

O médico Hamilton Moreira, responsável pelo Banco de Olhos do Hospital de Olhos do Paraná, diz que o fim da fila é resultado do trabalho de conscientização e da parceria entre os bancos de olhos e o governo do estado. “No momento da dor, é difícil alguém lembrar da doação. Em Curitiba, pessoas foram treinadas para abordar adequadamente as famílias no Instituto Médico-Legal. Essas pessoas lembram as famílias que a doação pode ajudar outras pessoas”, comenta.

Final feliz

Um exemplo de que a doação pode fazer a diferença é Osmair Santana dos Santos, 24 anos. Ví­­tima de ceratocone (doença que modifica a espessura e formato da córnea), ele ficou um ano e oito me­­ses à espera de um transplante. Com apenas 30% da visão do olho esquerdo, tinha di­­­ficuldades para trabalhar e estudar. “Não reconhecia a fisionomia das pessoas, desenvolvi astigmatismo e miopia. Estava ficando cego”, conta.

A vida dele mudou há um mês, quando conseguiu fazer o transplante. “Voltei a enxergar o mundo”, diz. Santos, que atualmente está desempregado, conta que não tem palavras para descrever a emoção de voltar a enxergar. Ele agradece à família que autorizou a doação. “Posso retomar minha vida. Agradeço todos os dias pelo que fizeram por mim”, diz ele, que também é doador de órgãos.

Interior

Mesmo que não exista fila de espera na capital paranaense, no restante do estado mais de 400 pessoas necessitam de transplante de córnea. Na opinião do deputado estadual Manoel Batista da Silva Júnior, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Paraná, é preciso expandir as políticas adotadas na capital.

Para o médico Hamilton Mo­­reira, é importante manter o trabalho para não deixar que a fila volte. “A fila pode crescer novamente. Além disso, as córneas daqui também serão enviadas para cidades de outros estados.” Atualmente, no Brasil inteiro, há 25 mil pessoas na fila para o transplante de córnea. Das oito córneas que estavam disponíveis ontem no Central de Transplantes do Paraná, seis se­­riam enviadas para outros locais.

Número de atendidos cresce 29% no Paraná

O número de transplantes de órgãos no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2010, aumentou 29% no Paraná. Até junho deste ano, 679 transplantes de órgãos e córneas foram realizados no estado; no mesmo período do ano passado foram 526. Atualmente, o estado possui 54 serviços credenciados para a realização de transplantes de órgãos e córneas.

Mesmo que os resultados sejam positivos, ainda existem 3.046 pessoas que aguardam na fila por um transplante. Do total, 2.410 esperam por um rim, 118 por um fígado e 50 por um coração. De acordo com a diretora da Central de Transplantes, Arlene Badoch, o transplante de órgãos é mais difícil que o de córneas. “O diagnóstico do paciente e do doador, a logística, a cultura, tudo é mais complicado quando envolve um orgão”, diz.

Mas Arlete afirma que o cenário é otimista. “As doações estão aumentando, estamos registrando uma curva. Nossa meta é dobrar o número de transplantes nos próximos anos”, relata. Para atingir o objetivo, conta a diretora, a Central de Transplantes vai intensificar a formação de Comissões Intra-Hospitalares de Doações de Órgãos e Tecidos para Transplante e as campanhas de conscientização.

Saiba mais:

O fim dos mitos

O transplante de córnea é seguro e pode recuperar a visão em 90% dos casos. Saiba como funciona:

O que é a córnea?

É um tecido transparente que fica na parte da frente do olho (de forma grosseira, podemos compará-la ao vidro de um relógio ou a uma lente de contato). Se a córnea se opacifica (embaça) por enfermidades hereditárias, lesões, infecções, queimaduras por substâncias químicas, enfermidades congênitas ou outras causas, a pessoa pode ter a visão reduzida ou até ficar cega.

O que é o transplante de córnea?

Os transplantes permitem que pessoas com alguma deficiência visual por problemas de córnea recuperem a visão. Durante um transplante, o botão (ou disco) central da córnea opacificada (embaçada) é trocado por um botão central de uma córnea saudável. Essa cirurgia pode recuperar a visão em mais de 90% dos casos de pessoas que têm alguma deficiência visual por problemas de córnea.

Qualquer pessoa pode ser doadora?

Sim. Independentemente da idade e do uso de óculos ou lentes de contato, ou de alguma possível doença, qualquer pessoa pode ser doadora. Os distúrbios de refração, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e outros distúrbios visuais, como catarata e glaucoma, não impedem a doação.

A retirada dos tecidos oculares provoca alguma deformidade no doador?

Não. A doação não modifica a aparência do doador.

Como são distribuídas as córneas?

A distribuição das córneas é feita respeitando-se a ordem de inscrição dos pacientes na lista de espera.

Após o óbito, existe algum cuidado que deva ser tomado para que as córneas não sejam danificadas?

Sim. Manter as pálpebras bem fechadas e, se possível, colocar gelo sobre os olhos.

É seguro para o paciente receber um tecido ocular doado? Existe a possibilidade de transmissão de alguma doença?

Não há riscos de transmissão de doenças.

Qual é o custo da doação para os familiares do doador?

Nenhum. A família do doador não paga nada pela doação e tampouco recebe qualquer pagamento pela doação.

Fonte: Associação Brasileira e Associação Pan-Americana de Bancos de Olhos.

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Retirado da Gazeta do Povo

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