Carta Aberta à População Brasileira – 18 de Maio

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CARTA ABERTA A POPULAÇÃO BRASILEIRA

18 DE MAIO

Nós, usuários de saúde mental, portadores de sofrimento psíquico, militantes antimanicomiais, junto com nossos parceiros e amigos trabalhadores da saúde mental e nossos familiares engajados nesta luta, nesta militância, vimos denunciar e repudiar neste 18 de maio, a forma como parte da mídia e setores da psiquiatria conservadora deste estado e do país vem tratando os usuários de saúde mental portadores de sofrimento psíquico.

Estamos sendo vítimas de tratamento preconceituoso e agressivo por estes setores da sociedade, estamos sendo tratados como criminosos, como pessoas perigosas e que não podem estar vivendo em sociedade.

Queremos informar a bem da verdade que não somos perigosos e é fato comprovado, estatisticamente, de que é muito pequeno e raríssimo o número de pacientes psiquiátricos usuários de saúde mental que por motivo de transtorno psíquico cometem algum tipo de crime ou delitos graves.

Nós não somos psicopatas, e sim somos portadores de algum tipo de doença psíquica, o que não nos impede de viver em sociedade no convívio com os ditos normais.

Neste 18 de Maio, data que em todo o país celebra o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, dia de luta contra o sistema manicomial. Este sistema sim, que é perigoso e que ainda maltrata, prende e exclui os usuários de saúde mental dos seus mais elementares direitos que é o direito a ser tratado em liberdade e com dignidade e respeito a pessoa humana. Prestamos a nossa solidariedade a todos os usuários pacientes psiquiátricos que sofrem com esta agressividade.

Em uma internação no hospital psiquiátrico há várias violências, como eletrochoque, contenção mecânica e excessiva medicação e só acontece porque a sociedade permite. O que não tira a culpa da psiquiatria conservadora, as mesmas pessoas que choram quando veem reportagens sobre hospitais psiquiátricos são as mesmas que não aceitam os portadores de sofrimento psíquico na comunidade, na escola e no trabalho.

Pessoas com sofrimento psíquico não significam perigo constante para a sociedade, tanto que ninguém é 24 horas por dia “dentro da casinha”. Queremos oficializar um documento no qual nós próprios possamos escolher nossos responsáveis, quer familiar ou não, para nos visitar, buscar e levar em alguma instituição psiquiátrica, pois muitas vezes infelizmente alguns familiares são responsáveis pelo adoecer.

Queremos lembrar a sociedade que estamos em plena vigência da Lei de Reforma Psiquiátrica gaúcha e brasileira. Hoje temos várias alternativas de tratamento que dispensa o já velho e torturador sistema manicomial dos hospitais psiquiátricos. Estamos na era dos CAPS, das internações em hospitais gerais, das oficinas terapêuticas, do modelo de residências terapêuticas, entre outros, bem como também cobramos dos gestores, quer municipais, estaduais e nacional, programas que ampliem a rede substitutiva já existente. Hoje, estes usuários criaram associações, participam dos conselhos de saúde, de grupos de trabalhos, de conferências de saúde. Destes usuários pacientes psiquiátricos saíram poetas, artistas plásticos, palestrantes. Estamos na vida, na sociedade.

Tudo que queremos é sermos tratados com respeito, com dignidade, respeitando as diferenças e convivendo com os ditos normais em uma relação de harmonia. Afinal,

DE PERTO NINGUÉM É NORMAL (Caetano Veloso).

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Autoria da Carta:

USUÁRIOS MILITANTES DO FÓRUM GAÚCHO DE SAÚDE MENTAL

INTEGRANTE DA RENILA – REDE NACIONAL INTERNÚCLEOS DA LUTA ANTIMANICOMIAL

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*Enviado pelo companheiro André Luiz Vendel

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