Perigoso, sódio está presente até em doces

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Na composição do sal e da maioria dos alimentos, nutriente afeta a saúde se consumido em grandes quantidades

Publicado em 11/04/2011 | Rafaela Bortolin

Ele está presente em quase todos os alimentos, principalmente os industrializados: do pão francês que você come no café da manhã, passando pela lasanha para micro-ondas do almoço e o macarrão instantâneo do jantar. O sódio faz cada vez mais parte da alimentação dos brasileiros. O problema é que, apesar de alguns benefícios, esse nutriente é um dos vilões da dieta moderna.

De olho nisso, na última quinta-feira, o Ministério da Saúde (MS) fechou um acordo com associações que representam as empresas produtoras de alimentos para, aos poucos, reduzir o volume de sódio nas composições de 16 tipos de produtos, como bisnaguinhas, pães, salgadinhos e embutidos, até 2014. O objetivo é fazer com que o Brasil alcance a meta de consumo de sódio recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) até 2020.

O combate tem motivo. Segundo a OMS, o ideal é que cada adulto consuma diariamente até 5 gramas de sal – principal fonte alimentar de sódio –, o que equivale a cinco colheres de sobremesa do produto por dia. Pesquisas apontam que a média ultrapassa o dobro e fica entre 10 e 12 gramas. “Como o sal é usado como conservante em produtos industrializados e fica oculto no preparo dos alimentos, as pessoas nem sequer reparam que estão consumindo tanto sódio e acabam minando a saúde aos poucos”, explica a médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Marcella Garcez Duarte.

As consequências são graves. Em excesso, o sódio leva a um aumento da pressão arterial – a temida hipertensão –, gerando problemas renais, edemas e doenças cardiovasculares, como enfarte e AVC. “A maior preocupação é que a hipertensão é uma doença silenciosa. Muitas pessoas têm o problema, mas só descobrem quando vão parar no hospital depois de sofrer um enfarte”, alerta Gisele Pontaroli Raymundo, professora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

E é bom ficar de olho no cardápio porque não são só os produtos salgados que têm sódio. Alimentos doces, como biscoitos recheados, chocolates, guloseimas e refrigerantes, inclusive os light e diets, que usam sacarina e ciclamato em sua composição, também têm altos níveis do nutriente. “Assim como os demais produtos industrializados, eles têm conservantes e exigem uma restrição no consumo.”

Acordo

Para Angelica Koerich, nutricionista do Hospital das Clínicas da UFPR, o acordo entre o MS e as empresas só traz benefícios para os consumidores. “A redução é excelente porque a alta ingestão de sódio, tão comum atualmente, tem relação direta com o aumento no número de casos de doenças que demandam tratamento para o resto da vida, reduzem a qualidade de vida e, hoje, são tratadas como um problema de saúde pública porque comprometem e sobrecarregam o sistema de saúde.”

Segundo Eduardo Augusto Nilson, coordenador substituto de alimentação e nutrição do ministério, o excesso de sódio na alimentação não é uma preocupação não só brasileira, mas mundial. “Tanto que, em outros países, já há regras parecidas para a limitação da quantidade de sódio em alimentos.”

Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, o plano contou com uma série de medidas. “Houve preocupação em incentivar a mudança de hábito alimentar da população, desestimular o consumo de alimentos com muito sódio e fomentar as pesquisas na área de tecnologia de alimentos para que se mude a composição sem aumentar o custo e alterar o sabor dos alimentos”, explica Angelica.

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Cuidados

Veja algumas dicas para reduzir a ingestão de sódio:

– Tire o saleiro da mesa – o hábito de acrescentar sal quando a comida já está pronta é um perigo.

– Evite os campeões de sódio – reduza o máximo possível o consumo de embutidos (como salsichas, presunto e salame) e desidratados, como sopas prontas e macarrão instantâneo com tempero. O consumo de salgadinhos e alimentos congelados, como lasanha e pizza prontas, também deve ser restrito, assim como caldos de galinha e produtos em conserva.

– Seja criativo na cozinha – use o mínimo de sal na hora de temperar algum prato e invista em ervas frescas e secas (manjericão, sálvia, cominho, orégano, manjerona e alecrim), pimenta, cebola, alho, salsinha, cebolinha, limão, cheiro verde e vinagre – ingredientes muito mais saudáveis. Uma receita caseira e saudável é fazer um tempero misturando um terço de alho picado, um terço de manjerona e um terço de sal.

– Reduza aos poucos – como o paladar está acostumado com a comida bem salgada, é difícil se acostumar com o novo sabor dos alimentos se a diminuição for muito radical. Vá adicionando cada vez menos sal aos preparos.

– Leia o rótulo – a quantidade de sódio está relacionada na tabela nutricional no rótulo de todos os alimentos industrializados. Leia atentamente, compare marcas e opte sempre pela que tem o menor valor. E vale uma dica para fugir de ciladas, se o alimento tem 5%, é considerado com baixo teor de sódio; se são 10%, é moderado e já merece mais cuidado; e, caso passe de 15%, deve ser evitado porque tem excesso desse mineral e pode comprometer a saúde.

– Anote tudo o que come – para saber o quanto ingere de sódio todos os dias, anote os valores referentes a este nutriente em tudo que comeu ao longo do dia e, no fim, some para ver se está dentro do recomendado.

– Beba água – ingerir pelo menos dois litros de água todos os dias é um jeito de equilibrar a quantidade de sódio no organismo, já que o excesso do nutriente é eliminado pelo suor e pela urina.

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*Retirado da Gazeta do Povo

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