PR é o 4.º no ranking da dengue

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Com 12.703 casos notificados até o fim de fevereiro, o estado só fica atrás de Acre, Amazonas e Rio de Janeiro

Publicado em 15/03/2011 | Andréa Morais

O combate ineficiente ao Aedes aegypti, em 2010, é apontado pelo governo atual como uma das causas para o aumento da doença neste ano no Paraná (Foto: Daniel Castellano)

O Paraná está entre os estados brasileiros que tiveram mais registros de dengue no primeiro bimestre de 2011. Segundo levantamento feito pela Gazeta do Povo junto às secretarias estaduais de saúde das 26 unidades federativas e do Distrito Federal, o estado aparece em 4.º lugar no ranking, com 12.703 ocorrências notificadas até o último boletim epidemiológico de fevereiro. O total só é superado por Acre, Amazonas e Rio de Ja­­neiro.

A posição ocupada pelo Paraná confirma as previsões de especialistas, segundo as quais o estado pode viver em 2011 o pior surto de sua história. Em janeiro, ele era o sétimo estado com maior número de notificações da doença, segundo dados divulgados pelo Minis­­tério da Saúde. No ranking com os números consolidados de 2010, ano em que o estado registrou mais casos da doença, o Paraná também ficou na sétima posição.

O levantamento feito pela re­­por­tagem mostra que todos os es­­tados brasileiros registraram casos de dengue neste ano e que os estados com maior concentração de casos não estão necessariamente numa mesma região geográfica. Entre os dez primeiros no ranking, há estados das cinco regiões do país.

O entomologista Ricardo Lou­­renço, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, diz que é praticamente impossível fazer uma previsão sobre o comportamento da dengue em determinado ano, mas que há alguns fatores que fazem com que os estados sejam mais ou menos afetados. “Este ano, em que o tipo 1 da doença voltou, a probabilidade é que áreas virgens, ou seja, estados que tiveram poucos casos da doença na década de 80 – como o Paraná – sejam mais afetados, porque a população não desenvolveu resposta imunológica.”

Para que esse quadro se confirme, além da baixa resistência da população, é necessário que a re­­gião apresente alto índice de infestação pelo mosquito – resultado de um trabalho de prevenção ineficiente, como o que teria sido feito no Paraná, no ano passado, segundo o governo do estado. Somadas a essas duas condições também pesam para a configuração de um quadro grave fatores como densidade populacional alta, clima favorável (chuva e calor) e acúmulo de lixo.

Agravamento

O professor Mário Navarro, pesquisador do Laboratório de Entomologia Médica e Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), revela que o quadro da dengue tornou-se mais preocupante no estado a partir de 2007. Com uso de georreferenciamento, ele descobriu que foi neste ano que o estado passou a ter mais registros de casos confirmados autóctones, ou seja, com a contaminação ocorrendo na própria região. “Esse é um indicador de agravamento importante, já que indica que o mosquito transmissor se estabeleceu na região. Para que isso ocorresse foi necessário um amortecimento do processo de vigilância e controle do vetor.”

Na opinião de Navarro, o trabalho de combate pode até ter sido feito, mas de modo inadequado. “Se as ações não forem feitas em toda a região, e não só apenas nas áreas com maior taxa de infestação, a tendência é de que o mosquito vá mais longe depositar seus ovos, ampliando seu raio de ação.”

O controle adequado exige o uso de mecanismos diversos, acrescenta o professor Francisco Marques, do Departamento de Química da UFPR. Tanto ele quanto Navarro fazem parte de um estudo coordenado pelo Instituto Fiocruz, que tem por objetivo desenvolver conhecimento para ajudar o poder público a controlar o vetor da dengue.

Dentro do processo de controle da população do Aedes aegypti, Mar­ques diz que é necessário que se combatam os mosquitos adultos – com fumacê – mas também as larvas – com larvicida. Para que essas ações sejam eficientes é fundamental a atualização constante das técnicas de combate, já que o vetor pode se tornar resistente ao veneno utilizado para exterminá-lo.

Sabendo disso, os dois pesquisadores estão envolvidos em um projeto para o desenvolvimento de um novo larvicida – menos tóxico, mais barato e eficiente. A pesquisa já resultou na criação de um produto com eficiência comprovada em laboratório e que agora precisa ser testado em campo. “É muito importante esse diálogo entre universidades, institutos de pesquisa e governo para que a eficiência das ações seja maior.”

Secretaria contesta ranking nacional

O secretário de Saúde do Paraná, Michele Caputo Neto, estranhou o fato de o estado ter ganhado posições no ranking nacional da dengue no último mês. Segundo ele, várias ações para combater a doença estão sendo feitas em todo o Paraná – em especial no Norte, onde a incidência é maior – e a expectativa era de uma melhoria do quadro.

Para o superintendente de Vigilância em Saúde do Paraná, Sezifredo Paz, alguns estados podem estar subnotificando casos, o que explicaria, em parte, o avanço do Paraná no ranking. Além disso, ele lembra que, enquanto algumas unidades da federação definem suas estratégias apenas com base no sistema oficial de notificação (o Sinan, que concentra dados repassados ao Ministério da Saúde por estados e municípios), o Paraná adota um modelo de notificação paralelo, que se antecipa aos dados do modelo nacional.

“A atualização do Sinan ocorre com atraso. Nós temos uma sala de situação e atualizamos nossos números diariamente. Só para se ter uma ideia, pelo Si­­nan, no final de fevereiro, o Paraná tinha pouco mais de 10 mil casos notificados [seria o quinto no ranking nacional, por esse modelo de contagem].”

Tanto Caputo Neto como Sezifredo concordam, por outro lado, que o quadro da dengue no Paraná é grave. Segundo o superintendente, o Paraná está vivendo a continuação da epidemia de 2010, fruto do combate inadequado ao Aedes aegypti. “Assumimos em janeiro projetando uma situação preocupante em função da gravidade do quadro em 2010 e de termos ciência de que o trabalho necessário não foi feito no ano passado. Tanto foi assim que procuramos o Ministério da Saúde para saber por que o Paraná não figurava entre os estados com mais risco de surto da doença”, comentou Caputo.

Ações

Para controlar o avanço da dengue no Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde está focada em três ações prioritárias. A primeira é o acompanhamento diário do número de casos, condição fundamental, segundo Sezi­­fredo, para que o controle seja eficiente. A segunda é a atenção ao paciente, o que inclui repasse de recursos aos municípios e treinamento dos profissionais de saúde. Duas mil pessoas – que atuam desde postos de saúde até em UTIs – já foram treinadas. A terceira linha foca-se nas ações de combate ao vetor da dengue, com envio de técnicos e equipamentos para a eliminação do mosquito nos municípios.

Com esse conjunto de ações, a expectativa é de que o ritmo do surto seja contido no estado a partir de abril e que o ano possa acabar com um cenário mais positivo do que em 2010. Para 2012, a secretaria promete um trabalho mais articulado – bastante focado em prevenção – e, como reflexo, uma redução drástica no número de casos da doença em todo o estado. “A continuidade do trabalho durante o ano todo é fundamental para termos bons resultados e é isso que pretendemos fazer”, conclui Sezifredo.

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Saiba mais

Estado já notificou 6,5 mil casos em março

Em março, o Paraná já registrou 6.512 notificações de dengue, ou seja, quase 600 ocorrências diárias (592), segundo o último boletim da Secretaria de Estado da Saúde, divulgado ontem. No comunicado anterior, publicado no dia 9, eram 17.607 casos notificados no ano, número que passou para 19.215 até sexta-feira – o que significa que 1.608 novas suspeitas foram registradas em dois dias. Os casos confirmados já são 3.333 – um aumento de 339 em re­­lação ao boletim anterior –, além de seis mortes: três em Jaca­­rezinho, duas em Londrina e uma em Cambará. Os dois municípios, juntamente com Foz do Iguaçu e Cornélio Procópio, concentram 81,9% dos casos de dengue no estado. A maioria das ocorrências confirmadas no estado (3.212) é autóctone, ou seja, quando a contaminação ocorre no próprio estado.

Para se proteger da dengue fique atento às formas de transmissão, sintomas e medidas a serem adotadas caso exista suspeita de contaminação:

Transmissão

– A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em recipientes com água limpa acumulada.

– Para combater a doença é necessário impedir que o mosquito se prolifere.

SINTOMAS

Dengue clássica

Depois da picada do mosquito com o vírus, os sintomas se manifestam normalmente do 3º ao 15º dia. O tempo médio de duração da doença é de cinco a seis dias. Sintomas:

– Febre alta com início súbito.

– Dor de cabeça, nos ossos e articulações.

– Dor atrás dos olhos, que piora com o movimento deles.

– Perda do paladar e apetite. Náuseas e vômitos.

– Tonturas, extremo cansaço, moleza e dor no corpo.

– Manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo, principalmente no tórax e membros superiores.

Dengue hemorrágica

No início, os sintomas são os mesmos. Quando a febre passa, surgem também:

– Dores abdominais fortes e contínuas. Vômitos persistentes, sede excessiva e boca seca.

– Pele pálida, fria e úmida. Sangra­mento pelo nariz, boca e gengivas.

– Sonolência, agitação e confusão mental. Pulso rápido e fraco.

– O quadro clínico se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, podendo levar a pessoa à morte em até 24 horas.

Tratamento

– Em caso de suspeita de dengue, procure uma unidade de saúde. O rápido diagnóstico é fundamental no tratamento da dengue.

– Não tome remédios por conta própria.

Fonte: Ministério da Saúde.

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(Clique para ver ampliado)

]

*Retirado da Gazeta do Povo

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