Seminário Nacional da Frente Contra a Privatizaçãoda Saúde

26/11/2010

Abertura do encontro foi realizada no dia 22 e reuniu mais de 300 participantes

O auditório 13 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) ficou pequeno para o número de participantes que queriam discutir os rumos do Sistema Único de Saúde, após 20 anos de implantação do SUS. Professores, trabalhadores da área da saúde, técnico-administrativos de diversas universidades, estudantes, movimentos sociais, centrais sindicais, sindicatos, federações e partidos políticos estavam reunidos para pensar o que já foi conquistado e o que precisa avançar mais. A Adufrj-SSind, o Andes-SN e a CSP-Conlutas marcaram presença.

A mesa de abertura contou com a participação da professora Maria Inês Bravo, da Faculdade de Serviço Social da Uerj. Ela apresentou os fóruns de saúde já existentes no Brasil e que estavam presentes no seminário. São eles: fórum do Ceará, de Pernambuco, da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná, do Rio Grande do Norte e de Natal.

De acordo com Maria Inês, a iniciativa tem por objetivo somar forças contra o amplo processo de enfraquecimento e privatização da Saúde, que acontece em todo o Brasil: “Este seminário pretende fazer uma frente anticapitalista em defesa da saúde e dos direitos sociais”.



SUS

Em defesa do SUS

A diretora do Conselho Regional de Serviço Social do Rio de Janeiro (7ª Região), Conceição Robaina, foi chamada a falar na abertura do seminário. Ela explicitou preocupação em não se ater a críticas ao SUS, mas buscar estratégias para a defesa do sistema: “Temos que reconhecer que a defesa do SUS tem sido cada vez mais dificultada pelo discurso do capital. Precisamos construir um movimento forte de resistência”, alertou. Ela também chamou atenção para o tema da segunda mesa-redonda “Que SUS defendemos”, afirmando que essa discussão é “tarefa fundamental” para a defesa do sistema.

Bernardo Pilotto, servidor do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, representando o Fórum Popular de Saúde do Paraná, também expôs uma preocupação na mesa de abertura. Para ele, a discussão do SUS é muito mais ampla e necessita de articulação nacional: “É preciso retomar a articulação pela defesa de nossas bandeiras históricas e por uma reforma sanitária plena”.

Privatização na saúde

A primeira mesa-redonda teve como tema “Privatização na saúde e afronta aos direitos”, com a participação de Virgínia Fontes (Fiocruz), Fátima Siliansky (Iesc/UFRJ) e desembargadora Salete Macalóz. A coordenação foi da professora Valéria Correa, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Virgínia Fontes iniciou o debate apresentando um quadro geral da política de saúde no Brasil. Ela chamou atenção para o fato de que embora a Saúde passe por um momento dramático de falta de recursos e transferência de serviços para o setor privado, uma parcela significativa da população está alheia a esses problemas.

Para a palestrante, todos os problemas vividos com relação à falta de políticas públicas de Saúde se devem a uma só causa: o sistema capitalista, que inaugura uma nova escala de concentração de capital. A esse fenômeno, Virgínia dá o nome de capital-imperialismo.

Expropriações

Para ela, o capital-imperialismo é o que define a atual política de Saúde adotada pelos governos em todo o mundo, mas que não é restrita apenas aos hospitais. Tal política está ligada à expropriação de todos os direitos conquistados pelos trabalhadores. Essa retirada de direitos também acarreta uma má qualidade de vida, que resultará em ausência de saúde.

Outra consequência dessas expropriações é a retirada do direito de se estabelecer uma carreira. Virgínia explica: “Vivemos essas expropriações de direitos no Brasil desde a década de 90. Nos anos 2000, isso mudou um pouco, pois os contratos com carteira assinada cresceram, mas ainda com redução de direitos. O principal problema é o direito à carreira, algo muito sentido na área da Saúde. A tendência é terceirizar e até ‘quarteirizar’ o trabalho”, disse.

Estas expropriações colocam em xeque o projeto que queremos para a Saúde pública, assim como evidencia a real política dos diversos governos para com os servidores. Virgínia encerrou sua explanação afirmando que a luta que se trava é “contra a capacidade do capital de comprar alguns, contra a capacidade de dividir a classe trabalhadora”.

Seguros privados

Em seguida, a professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc/UFRJ), Fátima Siliansky, falou sobre seguros privados no Brasil. Segundo a palestrante, 23% da população brasileira têm planos de saúde privados. “Somados, os valores pagos a esses planos são muito maiores que os gastos públicos em Saúde”, disse a docente.

De acordo com Fátima, o processo de privatização da Saúde vai além da retirada de direitos, “mas se conforma em outro processo”, com a “financeirização da Saúde”, através da abertura de capital das empresas na Bolsa. O acordo entre governo e capital é que para abrir mercado é necessário sucatear os serviços públicos.

Outro ponto de debate levantado pela professora foi que a flexibilização das relações de trabalho implica, ao fim e ao cabo, em altos índices de rotatividade. Como resultado desse processo temos a queda na qualidade do atendimento,  pois quebra-se a continuidade da prestação de serviço.

Modalidades de gestão

As chamadas organizações sociais (OS) – pessoas jurídicas de direito privado –, atuais ameaças à Saúde pública, tornam-se ainda mais nocivas pelo seu processo de escolha. Segundo Fátima Siliansky, essas OS não são selecionadas por meio de licitação pública, mas indicadas, já que não há obrigatoriedade da licitação. “Evidentemente, o controle é muito menor”, reclamou.

A “prática patrimonialista do Estado”, de acordo com a professora, é o que determina esse tipo de gestão, com abertura para as parcerias público-privadas e para as fundações estatais de direito privado. Sobre essas últimas, a docente disse: “As fundações não são meras ONGs, porque o capital está à frente dessas instituições”, finalizou.

Estado privatizado

Para a desembargadora Salete Macalóz, o Estado brasileiro já está privatizado. “É esse o contexto que temos que levar em conta quando falamos em privatização da Saúde”. O processo de privatização do Estado, de acordo com a desembargadora, data de 1964, golpe militar. O FGTS e o INPS, seguros feitos em nome do trabalhador, foram administrados pelo governo, “o que perpetuou a prática de gestão privada do Estado”.

Esta realidade também é determinante, segundo a desembargadora, para o lento avanço do SUS: “Hoje ainda há uma parcela de brasileiros que não são atendidos pelo SUS, porque o sistema não chega a todos os lugares do país”, disse.

Ela concluiu que apenas não será privatizado na Saúde o que der prejuízo ao capital, mas a “essência dos serviços, aquilo que toca diretamente a população e os trabalhadores”, se não houver resistência e organização, será privatizada.

Outras mesas-redondas do seminário serão divulgados nas próximas edições do Jornal da Adufrj.

*Retirado da ADUFRJ


Paraná perde 1,5 mil leitos de internação em 4 anos

25/11/2010

Pessoal, reproduzimos abaixo uma excelente matéria do jornal Gazeta do Povo publicada em 20/11/2010. A intenção não é de fazer uma suposta denúncia da diminuição de leitos, pois a própria matéria aponta que, ainda assim, o Paraná mantém o número adequado de leitos por habitante. E também que esses leitos fechados são do sistema privado, e os leitos públicos aumentaram em 410.

A intenção maior é de publicizar a disparidade entre o número de leitos públicos e privados no Paraná, que ocorre no país todo. Segundo o que preconiza a Constituição, o sistema privado deveria ser complementar ao público, mas os números demonstram que acontece o contrário.  E esse é um reflexo do próprio investimento em saúde: o investimento privado (por exemplo, de pessoas que pagam por planos de saúde) é pelo menos três vezes maior que o investimento público em saúde.

Ou seja, de forma bem resumida, é aquela coisa: os governos não fazem o que devem, e o SUS, apesar dos avanços, ainda deixa muito a desejar. A população em geral, e em específico as organizações populares, raramente colocam a bandeira da saúde pública em primeira escala de suas preocupações, e isso facilita que as omissões dos governos permaneçam. E, nesse cenário, aquelas pessoas que têm um mínimo poder de consumo, apelam para contratação da saúde privada. Por exemplo, os usuários de planos de saúde já somam 23% no país. Fora o pagamento direto de consultas, em consultórios e clínicas particulares, por exemplo, sendo bem corriqueiro em tratamentos odontológicos, consultas de oftalmologia e análises clínicas.

Agravando a situação, os leitos públicos e privados estão mal distribuídos nos estados entre capital e interior e entre as diferentes regiões.

E apontamos que discordamos da opinião da diretora do Hospital de Clínicas (HC) que está na matéria. A diminuição de leitos privados não é preocupante para a população em geral, e sim uma questão de relação entre prestador de serviços e seus consumidores.  E ela declara que os leitos privados são importantes por estarem mais livres da rigidez do Estado que visa garantir a inexistência de corrupção. Na verdade, se o planejamento estratégico dentro do SUS funcionasse sempre, ninguém precisaria comprar equipamentos ou contratar profissionais de uma hora para outra, no afogadilho.

Segue abaixo a matéria.

Ociosidade: o Hospital Regional de Ponta Grossa tem capacidade para 150 leitos, mas usa apenas 10

Em todo o Brasil 11,2 mil vagas foram fechadas. Principal causa é o alto custo de manutenção do serviço

Publicado em 20/11/2010 | Ponta Grossa - Maria Gizele da Silva, da sucursal

O Paraná perdeu 1.547 leitos de internação nos hospitais entre os anos de 2005 e 2009, ou seja, o equivalente a dez hospitais regionais do porte do instalado em Ponta Grossa, com capacidade para 150 leitos. A situação se repetiu no Brasil, que registrou o fechamento de 11.214 leitos de internação no mesmo período. Os custos de manutenção dos internamentos, com equipamentos e recursos humanos, é a principal causa da desativação. Os números foram revelados ontem com a divulgação da Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde. 

A baixa ocorreu principalmente em hospitais privados e que prestam serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). No Paraná, dos 26.793 leitos de internação existentes no ano passado, 6.512 eram exclusivamente públicos e 20.281 localizados em hospitais particulares com alguns serviços credenciados ao SUS. Em 2005, data da última pesquisa, havia 28.340 vagas de internação no estado, sendo 6.102 públicas e 22.238 privadas.

O Paraná perdeu leitos de internação no sistema privado, enquanto que no público houve um acréscimo de 410 vagas. Apesar da queda geral no país o no estado, o IBGE constatou que a média de leitos na Região Sul (o índice não foi divulgado por estado) está dentro do parâmetro considerado ideal pelo Ministério da Saúde, que é de 2,5 a 3 leitos por grupo de mil pessoas. O Sul chega a 2,6, diferentemente de outras regiões brasileiras, como o Norte, que tem 1,8 leito por mil habitantes.

Segundo o superintendente de Sistemas de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná, Irvando Carulla, se for feito um levantamento em cada uma das 22 regionais de saúde do estado, o balanço será positivo, visto que alguns hospitais públicos foram inaugurados apenas recentemente. Porém nem todos os estabelecimentos recém-inaugurados estão funcionando integralmente. O Hospital Regional de Ponta Grossa tem capacidade para 150 leitos e atendimento de 500 pacientes/dia, no entanto, usa 10 leitos e realizou desde março, quando foi inaugurado, até agora, 3.572 procedimentos. O diretor da unidade, Adroaldo Araújo, diz que compras e contratações estão em andamento.

Desigual

As estruturas de internação estão voltadas ao sistema privado. No Brasil, apenas 35,3% dos leitos de internação estão no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o restante no privado. As regiões brasileiras apresentam levantamentos desiguais. Enquanto que no Norte, 60,9% das vagas de internamento estão na rede pública, no Sul apenas 19,7% servem ao SUS.

Embora maioria, é o setor privado que está desativando camas de internamento, conforme a pesquisa. Para a diretora de assistência do HC, Mariângela Honório Pedroso, o fechamento de leitos em hospitais particulares é preocupante. “As operadoras de saúde estão remunerando cada vez menos”, afirma. Além disso, a discrepância entre leitos públicos e particulares está relacionada aos custos de manutenção e à burocracia para se contratar pessoal. “Para investir em equipamentos, por exemplo, eu preciso depender de emendas parlamentares, para contratar funcionários eu dependo da autorização de concursos, e nada disso existe na rede privada”, comenta.

Acesso a atendimento é maior nas capitais

Apesar de as capitais brasileiras concentrarem só 23,7% da população, é nelas que se encontram os médicos. A Pesquisa de Assistência Mé­­dico-Sanitária divulgada on­­tem confirmou um antigo problema: o da necessidade da interiorização dos médicos. No Brasil, há em média 5,6 postos de trabalho médico para cada mil habitantes nas capitais, enquanto que nos demais municípios (interior e litoral) essa média cai para 2,6.

No Sul do país, a proporção é ainda mais desigual: 7,8 nas capitais e 2,8 no interior. O Paraná segue essa tendência. Há 7,1 locais de atendimento médico em Curi­­tiba para mil pessoas contra 2,5 do interior e do litoral. O estado catarinense representa a maior distorção do país, com o indicador de 10,9 na capital Florianópolis e 2,9 no restante do estado.

O problema não é número de mé­­dicos formados. A pesquisa mos­­tra que, na média, o Paraná, por exemplo, teve um acréscimo proporcional no período de quatro anos analisado pela pesquisa. Enquanto em 2005, cada parcela de mil paranaenses tinha 2,8 médicos, em 2009 esse índice passou para 3,3. Segundo o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM/PR) há 18.379 médicos na ativa hoje no es­­tado. Para o presidente do Con­­se­­lho, Carlos Roberto Goytacaz Ro­­cha, há duas razões principais para o desnível na oferta de médicos: o primeiro são as más condições de tra­­balho no interior e o segundo é a baixa remuneração. “Na capital o médico encontra hospitais mais bem equipados, com melhores condições. Se ele vai para uma ci­­da­­de pequena, o salário é muito baixo.”

O CRM e o Conselho Federal de Medicina defendem a aprovação da PEC 29, que exige o repasse fixo de recursos dos estados, municípios e da União para o setor da saúde. Assim, conforme Goytacaz, se reduziriam os problemas no interior. Outro problema, lembra ele, é a ausência de planos de cargos e carreira que fixem o médico nas prefeituras, já que muitos gestores apelam para as terceirizações.

Diagnóstico

Melhora oferta de equipamentos

A presença de equipamentos de diagnóstico de doenças aumentou em todo o país em quatro anos, chegando a índices semelhantes aos países desenvolvidos, como observou a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária. Em todo o Brasil há 63.699 equipamentos de realização de exames médicos, sendo que 9.916 estão na Região Sul. Mas as disparidades se mantêm entre as grandes regiões e entre os serviços público e particular.

Há, por exemplo, nos hospitais privados, 19,8 aparelhos de ressonância magnética para cada grupo de 100 mil pessoas. Nos Estados Unidos, esse indicador é de 25,9. A oferta desse equipamento no Brasil dobrou em quatro anos, passando de 415 para 848, incluindo estabelecimentos particulares e públicos. No que diz respeito aos tomógrafos computadorizados, existem seis para 1 milhão de pessoas no sistema público, enquanto que nos hospitais e clínicas privadas, eles seguem a proporção de 44,3 por 1 milhão.

A oferta de equipamentos, no entanto, também mostra disparidades entre as grandes regiões brasileiras. No Norte, o número de mamógrafos por 100 mil habitantes passou de 0,8 para 1,1. Para os aparelhos de ultrassom, o maior aumento ocorreu no Sul, onde a oferta por 100 mil habitantes ficou em 11, ou seja, acima da média nacional de 10,1. Houve aumento anual na oferta de aparelhos de raios-x por 100 mil habitantes na Região Norte, de 1,9% ao ano, passando de 5,8 para 6,3 em quatro anos.

Veja a distribuição de leitos no país

 

 

*Retirado da Gazeta do Povo


Audiência Pública de prestação de contas da Saúde em São José dos Pinhais

24/11/2010

Prefeitura de São José dos Pinhais divulgou Audiência Pública na área da Saúde, referente ao 3º trimestre de 2010 (clique aqui). A audiência ocorre no dia 30 de novembro de 2010, às 19 horas, no Plenarinho da Câmara Municipal de São José dos Pinhais, localizado na rua Veríssimo Marques, 699.

O convite da Secretaria Municipal de Saúde se estende ao Conselho Municipal de Saúde, Entidades Públicas e cidadãos. O foco da Audiência é prestação de contas do terceiro bimestre. O comunicado foi publicado no jornal Correio Paranaense, página 1, de 24 de novembro, edição 2363.

*Retirado do Boletim Eletrônico do SINSEP


NOTA IMPORTANTE

19/11/2010
Queremos apenas dizer que, mesmo que os comentários feitos às nossas postagens  sejam, parcial ou totalmente, divergentes dos princípios políticos do FOPS/PR, eles serão devidamente aprovados e publicados. E, como é a praxe em todos os outros blogs e websites que conhecemos, os comentários são de autoria de quem comenta, e não nos responsabilizamos pelas opiniões.
Apenas censuramos no caso de constar no comentário conteúdo anti-ético e preconceituoso que seja considerado por nós inadmissível, e até agora não ocorreu na existência do blog. Mas, mesmo nesse caso, quem fez o comentário seria notificado da justificativa de porquê negamos a publicação.
Obrigado a todos e todas pela atenção e participação! FOPS/PR

22/11 é dia de luta contra a entrega da Saúde para as Fundações Estatal de Direito Privado (FeDP) e em defesa dos direitos dos trabalhadores.

19/11/2010

Na próxima segunda (22/11) haverá reunião das comissões da câmara de vereadores que discutiram dois importantes projetos que atacam os direitos e conquistas dos trabalhadores. Um diz respeito à criação de banco de horas para os servidores do Município e o outro sobre a entrega do Hospital do Idoso (ainda não inaugurado) para uma Fundação Estatal de Direito Privado.

Para entender o problema das fundações leia o jornal que preparamos clicando aqui ou na imagem:

  • Para entender porque o Banco de Horas é um ataque ao direito dos trabalhadores veja aqui a matéria feita pelo SISMUC

Venha engrossar essa luta!

O que? Mobilização na Câmara de Vereadores contra a entrega da Saúde para as Fundações Estatal de Direito Privado (FeDP) e em defesa dos direitos dos trabalhadores.

Quando? 22/11 (segunda feira) a partir das 10h.

Onde? Na Câmara de vereadores, ao lado da Praça Eufrásio Correia, Avenida Visconde Guarapuava, na altura do número 2741.


VERGONHA

19/11/2010

Fonte:  Correio da Saúde – CAOP SAÚDE

A Promotoria de Proteção à Saúde Pública de Curitiba, seguindo diretriz de trabalho adotada desde 2000, prossegue na análise detalhada das execuções orçamentárias do Paraná, agora com relação a 2009.

O objetivo é, como de regra, em não sendo observada a escorreita aplicação de 12% de recursos públicos em ações e serviços de saúde, conforme EC nº 29/00, Lei Federal nº 8.080/90 e Portaria-GM nº 2047/2002 – MS, a imediata propositura de ACP.

Embora ainda não disponível a respectiva auditoria do DENASUS, documento mestre para a finalização do trabalho, a simples análise visual da execução física do orçamento de 2009, constante em [www.sepl.pr.gov.br/arquivos/File/AFF2009.pdf], já demonstra a ocorrência de situações verificadas nos exercícios anteriores, ou seja, gastos duvidosos ou que não podem, desde logo, ser tecnicamente compreendidos como sendo de saúde.

Alguns exemplos:

Previdência do regime estatutário: R$ 135.902.620,83
Programa Leite das Crianças: R$ 57.369.968,47
Defesa Sanitária Vegetal: R$ 648.678,00
Assistência à Saúde dos Servidores Públicos: R$ 95.109.881,07

Recursos Hídricos e Saneamento:
(v.g.: Coleta de Lixo na Operação Verão e limpeza e desassoreamento nos canais de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná)

R$ 5.507.936,92

Sobre a Audiência da Frente Nacional em defesa do SUS Contra a Privatização da Saúde com o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski

19/11/2010

Fonte: SINSPREV/SP

A Frente Nacional em defesa do SUS Contra a Privatização da Saúde, comissão esta formada por entidades Nacionais, Estaduais, Acadêmicos, Advogados e Populares, esteve no dia 16/11/2010, neste dia  representada por integrantes da FENASPS, SINSPREV/SP, SINTURJ, Sindicato dos Médicos,  em audiência com o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, para  mais uma vez discutir  sobre a importância da procedência da ADIN 1923, a qual foi interposta  contra a lei que instituiu as Organizações Sociais como entidade  competente para  gerir setores da Administração Pública como a Saúde, Educação, cultura, dentre outros  que nos termos da nossa Constituição Federal são de dever do ESTADO e não de terceiros .

A reunião teve por fim demonstrar  que esse formato de gestão  não prevê contratação via concurso público, dispensa o processo de licitação para a compra de equipamentos e insumos, prejudica o atendimento aos usuários e não garante participação social na fiscalização dos recursos, e na pratica  não tem funcionado nos Estados, ao contrário tem resultado em interrupção de tratamentos, adiamento de cirurgias e consultas já agendadas nas Unidades de Atendimento Público , para novos encaminhamentos por meio das Organizações Sociais, as quais normalmente não utilizam nem mesmo os mesmos profissionais da rede pública efetuando novas contratações desnecessárias e dispendiosas.

A comissão representativa  da “ Frente Nacional em Defesa do SUS e contra a privatização”, relatou enfaticamente as  conseqüências fáticas  e trágicas que os Estados vêm  sofrendo com a privatização  da Saúde Pública e cuja população é a maior vitima,  os quais estão tendo subtraído direito constitucional de direito a saúde, cujo dever é do ESTADO.

Além dos populares, sofrem também com  a implantações das O’S , os servidores públicos da Saúde, os quais por décadas lutam por investimentos do governo para o melhor atendimento e agora constatam valores mais que suficientes para as melhorias serem disponibilizadas a essas Organizações, que ignoram inclusive a experiência profissional desses servidores, os colocando em disponibilidade e efetuando novas contratações desnecessárias e despendiosas sem efetivos resultados, ao contrário, o que se constata são prejuízos, pois atendimento público de saúde virou “negócio mercantil” na mão desses “terceiros” que ganham por produtividade, ou seja, quanto mais doentes houver, maior o lucro, o que inibe até mesmo  iniciativas preventivas pois “população  esclarecida quanto aos cuidados com a saúde não dá lucro”.

Foi levado ao conhecimento  do  Ministro que quando as Organizações Sociais assumem a Gestão dos serviços ela escolhe perfil, tipo de doenças e idade resultando em transferência de tratamentos contínuos daquela unidade para outras unidades, na maioria das vezes muito mais longe para o deslocamento do usuário em tratamento quando não fecham as unidades e cancelam os serviços.
Após a explanação, dos representantes da “Frente em defesa do SUS e Contra as Privatizações”  foi reiterado o Apelo pela Procedência da ADIN 1923, a qual pleiteia a Declaração de Inconstitucionalidade da lei criadora das Organizações Sociais para gerir a Saúde Púbica, cuja luta tem apoio expresso de quase 300 entidades Nacionais e Estaduais, e ainda de populares que  se manifestam por meio de  abaixo assinado  que já conta com mais de 5.000 assinaturas. (http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/assinar/6184)

O  Ministro Ricardo Lewandowski, se mostrou interessado e questionou quanto  aos critérios  que vêm sendo utilizados para escolha das Organizações Sociais a gerirem o serviço, e quanto a forma de implantação dos serviços, concluindo com a orientação de que a Frente  de defesa do SUS  persistisse nas audiências com os demais Ministros a fim de que todos tenham conhecimento do que de fato  resulta essa “privatização da saúde publica”.

O Ministro se posicionou a principio  “em tese“ contrário as implantações das Organizações Sociais na Saúde e se comprometeu em dar atenção especial na análise da ADIN 1923 e aos documentos juntados pela da “Frente Nacional em Defesa do SUS e contra a Privatização”, na qual consta o relato do fracasso da implantação das “OSs” nos Estados.

Novas audiências estão sendo agendadas com os Ministros do Supremo Tribunal Federal  e a Frente em Defesa do SUS, com apoio de volume Nacional pretende falar com todos os Ministros responsáveis pelo Julgamento da ADIN, e levar até eles o conhecimento  das ocorrências e inconstitucionalidades resultantes da lei que instituiu as Organizações Sociais.