Pesquisa CREMESP + Sugestão de Leitura: “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos”

Sugestão de Leitura: “A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos” Como somos enganados e o que podemos fazer” – Marcia Angell.

O título pode ser até um “cliche”, mas trata de uma temática bem interessante. Marcia Angell trabalhou durante 20 anos no New England Journal of Medicine, e atualmente é professora do departamento de Medicina Social da Harvard Medical School. Nesse livro ela demonstra as estratégias da Industria Farmacêutica para fazer leis, enganar a opinião pública, comprar médicos, cientistas e tudo que for possível para manter e ampliar seus lucros.

As estratégias usadas vão desde “ser dona” das opiniões dos políticos do alto escalão do governo, até criar “novos” velhos medicamentos, mudando apenas a cor da cápsula e o nome para manter em alta a venda dos medicamentos sob patente (medicamentos de imitação).

No livro fica muito claro o papel do Estado no Capitalismo: Gerenciar os interesses da burguesia, donos dos meios de produção, independente de que tomando decisões nesse viés, milhões de pessoas ficarão sem medicamentos essenciais.

Para quem acredita que as Parcerias Público Privadas (PPP) podem beneficiar o povo com inovações, ou que as patentes são justificadas pelos “grandes“ gastos em Pesquisa e Desenvolvimento, o livro é super recomendado. Mostra através do estudo dos casos de vários medicamentos de como essas teses são contos da carochinha pra enganar a classe trabalhadora.

Resumindo: o livro ajuda a derrubar uma série de mitos diariamente divulgados pela indústria e pela mídia… e tristemente reproduzido por vários professores universitários.

No fim do livro a autora “dá dicas” do que podemos fazer para combater as atrocidades da indústria. Considero que as propostas da autora são limitadas, pois se mantem nos marcos do capitalismo, como se tal regime pudesse ser humanizados. Sugere intervenções como “qualificar o voto” nas eleições, pressionar o deputado eleito, questionar o médico sobre a existência de medicamentos genéricos para o mesmo tratamento e etc… não que não considere algumas sugestões válidas, mas não questiona enfaticamente o fato “da sociedade” querer sempre soluções com pílulas e outros tratamentos, não vai a origem dos problemas, as suas raízes – a determinação social do processo de adoecimento e a forma de organizar e reproduzir a vida no capitalismo. Feito essa consideração, e posso estar sendo injusto, já que o proposito da autora era olhar a industria farmacêutica atual e propor “reformas”, além do fato de não conhecer seus outros livros, fica a sugestão de leitura do livro, que se não aponta para uma saída revolucionária, ao menos nos fornece dados valiosos para enfrentar os argumentos do senso comum dos que defendem que as patentes são necessárias.

Angell analisa a atuação da Indústria farmacêutica nos Estados Unidos, mas a nossa realidade não é muito diferente, tanto é que coloco aqui notícia de uma pesquisa feita pelo CREMESP (Conselho Regional de Medicina de SP):

A pesquisa revela que 93% dos médicos afirmam ter recebido, nos últimos 12 meses, produtos, benefícios ou pagamento da indústria em valores de até R$ 500. Outros 37% declaram que ganharam benefícios de maior valor, desde cursos a viagens para congressos internacionais. Para o CREMESP, um terço dos médicos mantém uma “relação contaminada com a indústria farmacêutica e de equipamentos, que ultrapassa os limites éticos”.

Para ver a pesquisa completa acesse aqui: http://www.cremesp.org.br/pdfs/pesquisa.pdf

O livro pode se comprado aqui ou aqui.

Pra quem for da UFPR dá pra pega-lo na biblioteca do Botânico.

P/Lucas R.

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