Saúde não se vende

Texto retirado do sítio da APUF-PR que ajuda na discussão de Saúde do Trabalhado:

Saúde não se vende

O ser humano, no decorrer da sua vida, passa por processos críticos que contribuem de forma mais decisiva para a saúde ou para a doença. Segundo o médico e professor do departamento de Saúde Comunitária Guilherme de Albuquerque, diretor administrativo da APUFPR-SSind, o trabalho está entre os processos que determinam de maneira mais importante a conformação para a saúde ou para a doença das pessoas.
“O processo de trabalho no capitalismo não está organizado, em primeiro lugar, para que o trabalhador se desenvolva enquanto ser humano, para que se realize e se satisfaça em sua atividade, mas para gerar mais capital”, aponta Albuquerque.
Segundo o docente, nesta sociedade a preocupação com as condições de trabalho e de vida do trabalhador se baseia centralmente na necessidade de manter a força de trabalho em condições de mover os meios de produção.
Na universidade — por ser um campo que não produz bens e mercadorias, mas que oferece capacitação à força de trabalho – isso ocorre de maneira diferente.
“Reproduzir força de trabalho da forma mais barata possível é uma necessidade do capital. É por isso que numa escola pública que não visa diretamente o lucro, as condições de trabalho dos professores não são as ideais, porque quanto menos se investir, mais barato será para formar força de trabalho”, explica.
Segundo Albuquerque é possível compreender, a partir dessa lógica, o porquê do trabalho dos docentes no Setor de Ciências Biológicas e de outros locais da Universidade ser tão nocivo à saúde. “O que acontece no caso do formol é um envenenamento cotidiano devido às condições de trabalho que são impostas aos docentes”, afirma o diretor.
A saúde ocupacional representou, historicamente, um avanço em relação à medicina do trabalho porque passou a analisar também o local onde o trabalhador está inserido. Entretanto, é a partir dessa nova área da saúde e do certo equilíbrio que ela visa oferecer aos trabalhadores, que se regulamentam as dosagens máximas permitidas de produto tóxico nos ambientes.
“São estabelecidos certos limites de tolerância de uma forma muito questionável. Não há limite seguro de exposição a substâncias possivelmente cancerígenas, embora a legislação estabeleça que sim”, aponta Albuquerque.
Para o professor, o estabelecimento jurídico de limites de tolerância representou uma derrota para os trabalhadores, visto que tornou-se normal e legal a exposição cotidiana a uma substância que comprovadamente faz mal a saúde.
A monetização do risco, representada pela criação dos adicionais ocupacionais, é vista pelo diretor como uma maneira do capital convencer o trabalhador a se expor a condições de trabalho insalubres. “Trata-se de pagar ao trabalhador pela sua saúde e saúde não se vende”.
Guilherme de Albuquerque explica que é preciso que os trabalhadores reivindiquem melhores condições de trabalho e que o adoecimento não seja imposto para ninguém em nenhum processo de trabalho. “Não correr riscos é possível, só não acontece porque o capital visa à máxima lucratividade em cada processo de trabalho”, destaca.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s